• Thyrso Guilarducci

Kamikazes sem nenhuma causa!

Os dramas que custam muitas vidas sobre duas rodas e não nas asas!


Crédito X-Plane - https://forums.x-plane.org/index.php?/files/file/54134-mitsubishi-a6m-zero-fighter/




As pessoas que conhecem a história contemporânea logo identificam os personagens japoneses que foram decisivos para colocar um ponto final na II Guerra Mundial, os Kamikazes, embora a reação Norte Americana foi contundente para a rendição nipônica.


Os kamikazes, soldados aviadores da Marinha Imperial do Japão, eram treinados obstinadamente a cumprir suas missões de ataques aos inimigos da "Pátria do Sol Nascente" atingindo seus alvos que eram embarcações, instalações ou edifícios com poderosas bombas de alto grau de explosão e incêndio, sob o comando de Isoroku Yamamoto, um Almirante estrategista da Real Marinha Japonesa.



Pasmem! Nos voos de mergulho com as aeronaves Zero A6M Mitsubishi, para aliviar o peso, o combustível era calculado apenas de ida. O avião, a bomba e o piloto formavam uma tríade de terror e quando atingia o alvo gerava uma enorme bola de fogo de destruição.


Para quem acha que eles eram suicidas forçados pelo Governo japonês engana-se: havia uma fila de inscritos para as missões que eram maiores que as vagas disponíveis


Imagem: Zero A6M da Real Marinha Japonesa: crédito Pixabay


Esse soldados eram considerados heróis da pátria e as famílias orgulhavam-se de ter um filho que doou sua vida pelo Japão. Quando um deles era convocado e a missão abortada por alguma razão, choravam e sentiam-se impotentes, frustrados e deprimidos ao ponto de cometerem harakiri* em honra à pátria.


(*) suicídio cerimonial pela honra e dignidade da pessoa frente ao país!



Abordando o cenário dominante dos motociclistas na região metropolitana de São Paulo e provavelmente em todo o país, o comportamento retrata uma espécie de “guerreiros” pilotando insanamente suas máquinas como se portassem bombas a bordo para destruir um porta aviões inimigo.



Crédito: Portal T5 - João Pessoa, PB


Antes de prosseguir com os argumentos, devo considerar cada um dos trabalhadores com motos e que respeitam os limites da Lei e do bom senso. Entregadores, técnicos, policiais, inspetores e mesmo os usuários sensatos que vão e retornam do trabalho e passeios com toda a atenção e cuidados mínimos. Isso é uma justiça para não incorrer na generalização.


Nessa linha dos kamikazes em metáforas o que destaco é a incapacidade da Administração Pública de atuar efetivamente com inteligência e o rigor cabíveis pelas Leis do CTB e do CP pelas barbáries demonstradas sobre duas rodas por uma infinidade de pessoas desprovidas do menor bom senso e prática da cidadania.

Basicamente as atitudes são:


Não obedecer ao semáforo vermelho
● Excesso de velocidade
● Ameaçando e intimidando pedestres nas faixas de segurança
● Velocidade incompatível com local, como agrupamento de pessoas, escolas, hospitais etc.
● Manobras de riscos
● Agressividade, fúria gratuita, ataques verbais e físicos a motoristas, pedestres e até mesmo outros motociclistas.
● Camuflagem da placa com correntes ou objetos
● Não manter distância de segurança lateral e longitudinal entre demais veículos
● Não utilizar vestimenta adequada, embora não requerida legalmente
● Capacetes danificados
● Sem viseiras
● Conversões proibidas
● Transitar sobre passeios , calçadas e marcas de canalização
● Transitar na contramão
● Não acionar os faróis
● Não usar setas
● Malabarismo e exibicionismo como empinar e girar violentamente
● Ultrapassagens em vias com dupla e contínua faixa
● Alteração do sistema exaustão provocando ruídos excessivos
● Buzina utilizada sem o menor escrúpulo
● Acelerações desnecessárias dentro de túneis ou sob viadutos

Enfim, a lista de infrações e crimes de trânsito é muito ampla. Para entender a motivação desses comportamentos é interessante saber a opinião de especialistas em comportamento humano e profissionais das áreas de saúde.


É triste e lamentável testemunhar tantas vidas perdidas ou mutiladas no efeito manada dessa inconsistência social.


De acordo com as estatísticas coletadas pelo IRIS do ONSV - Observatório Nacional de Segurança Viária, o Estado de SP possui 44 milhões de habitantes, uma frota de 27 milhões de veículos e uma elevada taxa de mortes no trânsito à cada 100 mil habitantes na ordem de 13,34 óbitos.


Os acidentes com motos representam a segunda maior incidência dos óbitos respondendo com 32% ficando atrás apenas dos pedestres com 34%.


Foram 1.479 óbitos no ano de 2015 apenas envolvendo motociclistas, ainda segundo o IRIS.


Imagem: página do IRIS com arte adicional


Não se trata de uma diferença do poder econômico entre as imponentes motocicletas de alta cilindrada e logicamente de valores muitas vezes igual ao de dois automóveis básicos zero km em comparação com uma pequena moto de menor valor, menor porte e normalmente as utilizadas pelas atividades das entregas e locomoção pessoal de idas e vindas ao trabalho e lazer.


A questão predominante nesse cenário é a grande maioria das motos menores pilotadas por pessoas à trabalho nas entregas de mercadorias das mais diversas modalidades com baús amarrados às costas ou presos na garupa.


Uma significativa parcela dos chamados "motoboys" nas áreas urbanas na maioria das cidades e regiões metropolitanas são vítimas fatais nos sinistros de trânsito e vítimas das próprias atitudes em manobras ilegais e de alto risco. Praticamente somente de jovens entre 18 a 25 anos, sexo masculino.


Ao mesmo tempo em que muitos motoristas e pedestres sentem-se ameaçados pelos comportamentos dos motoboys, paralelamente são vorazes consumidores dos mais diversos itens como alimentos e bem duráveis adquiridos pelo e-commerce explosivo devido à pandemia do Covid-19.


Retratando Sygmunt Bauman que na Filosofia entende como um mundo líquido, angustiado e desesperado pelo consumo desenfreado que espera receber uma pizza entregue por um motoboy ao click de uma mensagem no WhatsApp.


Assim também na compra de algum novo celular, sai correndo para o portão ao ouvir uma moto na ideia de que seja a sua entrega e não sendo, fica indignado com a demora. Esse paradoxo é um incentivo compulsório para que a pizza chegue quente em 10 minutos, mas se o motoboy passar a 100 km/h no corredor é alvo de xingamentos, chamado de louco, irresponsável (...)




Ricardo Pazzini Rocha Campos, um professor e treinador de Pilotagem de Alto Risco, é Policial Militar na PM do Estado de SP e responsável pelo treinamento de pilotagem com as motocicletas da ROCAM - Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas, acumula ainda treinamento de Direção Evasiva de veículos e também é Observador Certificado do ONSV.


Com todas essas credenciais, o Instrutor Rocha emite um importante conselho aos motociclistas de modo geral.


Pazzini pilotando uma moto da Rocam - PM/SP


COMO NÃO ENTRAR NAS ESTATÍSTICAS, COMO NÃO SER UM KAMIKAZE!

"A palavra de ordem é DISCIPLINA, essa é uma dica principalmente para as pessoas que dirigem para se deslocar ao trabalho, mas serve para todos que se utilizam do trânsito.

Ter disciplina é o início de tudo, desde o momento em que acordamos, às vezes com preguiça ou pelo cansaço, programamos o despertador para mais 5 minutos de sono e saímos atrasados tentando recuperar o tempo na pista, que não é uma pista de corrida, e consequentemente criamos uma disputa com outros usuários da via por uma melhor posição, como que se tivéssemos que chegar em primeiro, e quando atingimos o objetivo da ultrapassagem, aí começa tudo novamente pois existem outros usuários na sua frente e essa corrida só acaba quando chega ao destino, e se chega ao destino deixando um rastro de falta de cordialidade, desrespeito com o próximo, infrações de trânsito, quando não acontece o pior e pessoas são lesionadas ou até vidas ceifadas.

Já com os profissionais que desempenham suas funções em meio ao trânsito, como o nome já diz PROFISSIONAIS, é isso que se espera, que realmente sejam profissionais e respeitem as condições do trânsito com paciência, cordialidade e empatia, essa talvez seja a melhor forma de não entrar nas estatísticas e tornar o trânsito um lugar melhor."

Ricardo Pazzini











É profundamente lamentável e triste observar o comportamento desumano e desafiador adotado por muitos condutores de motocicletas, arriscando não apenas as próprias vidas, mas a de terceiros e acrescidos por danos materiais e impactos financeiros elevados.


Não se justificam as explicações de excesso de trabalho, cumprir metas e horários. Tudo isso pode terminar repentinamente em só sinistro e com ele a vida, impondo dores e sofrimentos aos familiares com uma perda irreparável.


Muitos motociclistas nem mesmo estão tentando ganhar seus rendimentos, cumprir horários: fazem exibicionismo empinando as motos, trafegando sobre calçadas e passeios, efetuando manobras de temeridade ao lado de caminhões, carros e ônibus, transitando na contramão, desrespeitando semáforos (sinaleiras), ameaçando pedestres e uma infinidade de atos irresponsáveis e criminosos que foram listados acima.



Imagem crédito: https://www.serranamotos.com.br/cg-160-start/



Uma união conflitante


Os estudos especificamente sobre esse cenário dos motociclistas e seus comportamentos não são muitos, principalmente sobre os chamados motoboys, os mais propensos às situações de atos infracionais e criminais, além de auto exposição aos riscos graves de sinistros no trânsito que podem ainda afetar terceiros, ocasionando danos físicos e materiais.


Na minha pesquisa destaco duas Teses de Doutorado que são correlacionadas através de citações, práticas habituais em trabalhos dessa natureza.


Fontes


http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/311599


https://periodicos.unichristus.edu.br/jhbs/article/view/1834/674


Transtornos Mentais Comuns em Motociclistas: Uma Revisão Integrativa de Literatura

Dra.Vanessa Maria da Silva Coêlho, Mestre em Saúde Coletiva pela UF PE e Dra. Albanita Gomes da Costa de Ceballos, Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE


As Doutoras em referência desenvolveram uma profunda tese de Doutorado em maio de 2018 defendendo cientificamente que com base em inúmeras fontes de pesquisa de fato trata-se de um quadro que são poucos os estudos conhecidos que investigam a prevalência e/ou incidência de transtornos mentais comuns em motociclistas.


Assim, o estudo evidenciou diversas lacunas de conhecimento na identificação dos TMC (transtornos mentais comuns) nessa população. Essas lacunas encontradas por meio da revisão integrativa advertem da necessidade de ampliação do número de pesquisas e demonstram a imprescindibilidade de estudos com esta categoria de condutores, que tem como uma de suas peculiaridades o risco e a vulnerabilidade iminentes de acidentes no trânsito.


Portanto, características determinantes desse tipo de agravo devem ser investigadas tanto no cenário brasileiro quanto mundial, pois esse panorama, além de subsidiar futuras pesquisas, deverá ser levado em consideração no planejamento de ações e intervenções que visem à proteção e ao cuidado da saúde mental desta categoria de condutores de veículos e, consequentemente, à redução dos acidentes de trânsito.


Dentro as principais fontes e referências, ao todo 32 delas, foi dada ênfase ao Tese também de Doutorado defendida em 2015 na UNICAMP em Campinas, SP, defendida pelo Psicólogo e Neuropsicólogo Doutor Alex de Toledo Ceará, denominada Personalidade, identidade, abuso de substâncias psicoativas e outros transtornos mentais em motoboys


Esse Trabalho com 145 páginas foi de uma abrangência significativa quanto aos comportamentos dos chamados motoboys na cidade de Campinas, SP, investigando os transtornos mentais, do uso de substâncias psicoativas e da identidade e personalidade dos motoboys naquela cidade. Teve como orientador o Professor Doutor Paulo Dalgalorrondo, Médico Psiquiatra.


Os principais resultados, mediante a regressão logística múltipla, indicaram que os motoboys que mais se expõem ao risco têm menos tempo de profissão, com um ano de exercício (5,2 vezes mais risco que os com 3 anos ou mais de trabalho) e possuem algum transtorno mental, incluindo uso de substâncias (8,1 vezes mais exposição ao risco que os sem transtorno). O aumento em uma unidade do SRQ-20 (indicando sofrimento psíquico) eleva o risco de sofrer acidentes em 48%.


Como resultado dessa amostragem e análise, chegou-se à conclusão de que sujeitos inexperientes e que apresentam sintomas psicopatológicos expõem-se mais ao risco; sujeitos com mais dificuldades psicoemocionais têm maiores chances de se acidentarem nessa profissão. Como a maioria dos Trabalhos Acadêmicos são consistidos em outras Teses e Publicações reconhecidas, vale destacar a citação de uma pesquisa em Porto Alegre que tem alguns pontos muito interessantes:


Os motoboys nos grandes centros urbanos brasileiros


“No contexto brasileiro, referindo-se aos jovens dos subúrbios das regiões metropolitanas, Kieling, et al. (2013) mencionam que o uso de substâncias psicoativas é alto entre aqueles que trabalham como motoboys.


Esses autores realizaram uma pesquisa na cidade de Porto Alegre - RS, no ano de 2009, segundo a qual foram entrevistados 101 motoboys, na faixa etária entre 19 e 34 anos de idade, todos já acidentados e internados no serviço de emergência e trauma de um Pronto Socorro dessa cidade.


Depois de obterem alta, foram contatados para participar desse estudo e, para isso, receberam U$ 15 (quinze dólares) por hora durante esse trabalho. Como hipótese principal, sustentou-se que o TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) seria um fator determinante para acidentes de trabalho entre os motoboys.


Utilizaram como instrumentos para essa observação um inventário sociodemográfico, um inventário de autorrrelato de acidentes, os subtestes Cubos e Vocabulário do teste WAIS-III (Escala de inteligência Wechsler), o Mini-International Neuropsychiatric Interview para detecção de transtornos mentais do eixo-II do DSM-IV e o K-SADS (Schedule for affective disorders and schizophrenia) para avaliação de transtornos do déficit de atenção e hiperatividade.


Os resultados da pesquisa de Kieling et al. (2013) foram os seguintes: o abuso de substâncias foi o mais presente dos diagnósticos, em que 43,6% dos sujeitos relataram uso frequente de maconha. 31,7%, apresentaram transtornos do humor. 29 indivíduos relataram terem sofrido transtornos externalizantes na infância e 15, TDAH, também com ocorrência inicial na infância e mantidos no período atual. Foram identificados 14 casos de transtornos de personalidade antissocial.


Chama a atenção a constatação de que 75% dos motoboys participantes dessa pesquisa tinham ao menos uma condição psicopatológica diagnosticada.


Uma das descobertas da pesquisa de Kieling et al. que lhes chamou a atenção foi a associação entre os episódios de acidentes com vítimas e o diagnóstico do déficit de atenção e hiperatividade, cujos resultados corroboram as constatações provenientes da revisão sistemática de Barkley e Cox, de 2007, em que se conclui que o TDAH estaria associado a acidentes de trânsito em geral. Cabe ressaltar, que pela complexidade do desenho metodológico, pelo tamanho amostral e também pela relevância desses achados, que a pesquisa de Kieling et al. é, até este momento, um dos principais estudos sobre motoboys no Brasil.


No entanto, embora a associação entre TDAH e acidentes de trânsito seja contemplada por alguns pesquisadores, como Barkley e Cox, e Kieling et al., anteriormente mencionados, colocá-la como um determinante do número desses incidentes entre os motoboys talvez seja ignorar a ponderada conclusão de Norris, Mathews e Riad (2000): acidentes de trânsito são multideterminados, não podendo o fenômeno ser reduzido a um diagnóstico de transtorno mental.


Nesse sentido, pensa-se que as condições de trabalho, de vias públicas e a dinâmica do trânsito, assim como as circunstâncias psicológicas e emocionais, ainda que amplas, estejam associadas de forma complexa aos acidentes de trânsito sofridos pelos motoboys (Norris, Mathews e Riad, 2000; Silva et al.,2008).


Em 2008, Silva et al. observaram que muitos jovens motoboys trabalhavam em condições exaustivas, com longas jornadas altamente estressantes, que podiam desencadear, nesses indivíduos, dificuldades psicológicas e emocionais. Pela pesquisa desses autores, foram entrevistados 377 motoboys da cidade de Londrina e Maringá, ambas do Estado do Paraná, com o objetivo de identificar o perfil de cada um deles e suas condições de trabalho, além de situações de risco e ocorrência de acidentes. Utilizou-se um único questionário, autoaplicável, elaborado pelos próprios pesquisadores, pelo qual foram coletados dados, durante dois anos, por estudantes universitários treinados.


Em seus resultados, viu-se que a pressão dos clientes e dos empregadores colocam a segurança dos motoboys em uma hierarquia de valores secundária. Assim, como decorrência disso, surgem os comportamentos de risco no trânsito, pois a prioridade do jovem trabalhador é a pontualidade e a exatidão das entregas. Para esses autores, essas condições de trabalho podem levá-los ao estresse psicológico, configurando-se um risco adicional à saúde física e mental desses jovens.


Se Silva et al. (2008) enfatizam as condições de trabalho quanto aos seus resultados, pouco são abordadas as variáveis individuais, como personalidade, saúde mental e uso de substâncias, assim como a associação disso com os acidentes e os comportamentos de risco no trânsito. Além do mais, ainda que tenha ocorrido a escolha aleatória dos sujeitos da pesquisa, com o sorteio dos entrevistados, a utilização de um único instrumento na coleta de dados empobreceu a qualidade metodológica do trabalho, pois se trata de um questionário muito particular, que dificulta a comparação dos resultados obtidos com as demais pesquisas na área, no Brasil e no mundo.


Em outra pesquisa de âmbito nacional, de autoria de Veronese e Oliveira (2006), foram estudadas as perspectivas dos motoboys em relação aos acidentes de trânsito na cidade de Porto Alegre – RS. Por se tratar de pesquisa qualitativa, foram entrevistados apenas 11 sujeitos, pautando-se a análise dos resultados nas teorias sociológicas sobre o risco nas sociedades contemporâneas. Assim, decorrente de suas observações, aponta-se a existência de noções, entre os motoboys, de que os riscos podem ser controlados individualmente, fato que as autoras frisam como impossível, conforme concluem, pois toda situação de risco é multidimensional e para esse fenômeno concorrem diversos agentes sociais.


Todavia, essas pesquisadoras também consideram a possibilidade de que entre os motoboys exista a noção de que trabalhar pilotando uma motocicleta seja uma aventura.


Em estudos qualitativos, muitas vezes, não se exige um controle sistemático do número de sujeitos entrevistados, preocupando-se com a identificação e a elaboração de conceitos válidos a respeito dos fenômenos estudados (Turato, 2003). No entanto, como foram entrevistados apenas 11 motoboys, torna-se plausível a indagação se essas noções de controle do risco ou do risco como aventura estejam presentes, de maneira expressiva e mais geral, entre os motoboys das grandes cidades brasileiras.


Todavia, ressalta-se que essa noção de risco como aventura assemelha-se à percepção de risco encontrada entre certos grupos de adolescentes, do cenário urbano, que, segundo Pereira (2010), buscam o que eles mesmos denominam “adrenalina”. Jovens pichadores também relatam que se arriscam nos altos edifícios em busca de “adrenalina” (Ceará e Dalgalarrondo, 2008)


Mas se as noções de aventura fazem-se presentes em certos grupos de adolescentes e jovens da vida urbana, dos grandes centros, a utilização dessas características pessoais pelo mercado de trabalho remete-nos ao conceito de “hipersolicitação”, que explica a utilização máxima dos atributos do intelecto e da personalidade do trabalhador como uma forma pós-moderna de exploração (Lazarrato e Negri, 2001).


Grisci, Scalco e Janovick (2007) embasam-se nessa apreciação ao estudarem os modos de trabalhar e de ser de motoboys da cidade de Porto Alegre - RS. Com a finalidade de pesquisar a vivência espaço-temporal desses jovens, entrevistaram 20 deles, utilizando um método qualitativo, com um roteiro de entrevista semiestruturado.


Nessa pesquisa, as autoras mencionam que motoboys exemplificam bem certas características sociais contemporâneas, como a instantaneidade e a velocidade. Assim, esses sujeitos vivenciam uma contradição marcante, pois, ao passo que vivem os paradigmas do “aqui e agora” e do “tempo é dinheiro”, encontram-se, por vezes, em um trânsito paralisado, fato que estabelece uma relação ambígua e tensa.


Dessa forma, como conclusão, esta pesquisa aponta que a velocidade é o caminho para encurtar as distâncias, dado que os motoboys são hipersolicitados e que, por isso, veem-se obrigados a traçar mentalmente rotas que driblem a lentidão do tráfego nas cidades, e atendam, com total entrega de si, às demandas dos patrões e dos seus clientes.


1.4 Consumo de SPA (Substâncias psicoativas) no Brasil


Antes de considerar o uso de drogas em condições específicas, como o comportamento dos jovens no trânsito, é relevante o entendimento da prevalência do uso de substâncias psicoativas entre esses indivíduos, em geral. Esse conhecimento contextualiza e torna mais precisa e alicerçada a compreensão das dificuldades notadas no trânsito brasileiro, nos acidentes nele existentes e nos profissionais por ele envolvidos (Gerdje et al., 2014; Silva et al., 2008).


Assim, o consumo abusivo de substâncias tornou-se uma questão de saúde pública em todo o mundo (Dotta Panichi, Wagner, Sarriera, 2013; Jerome et al., 2006). Entre as drogas ilícitas, as mais consumidas são a maconha, as anfetaminas, os opiáceos e a cocaína, principalmente entre a população jovem (Jerome et al., 2006; Galduróz et al, 1997, Galduróz, 2004, Scivoletto e Martins, 2003).



Violência desmedida por motivos fúteis


Concluindo:


A maioria dos motoboys participantes desta pesquisa eram jovens, que perceberam nessa profissão a possibilidade de entrar no mercado de trabalho, motivados, em parte, pela necessidade de emprego e, muitas vezes, pela busca de uma atividade que oferecesse, além dos ganhos necessários, a liberdade das ruas.


Os motoboys parecem viver entre as fortes pressões advindas de seus empregadores, assim como dos clientes, e as dificuldades provenientes do trânsito, muitas vezes perigoso e violento. Mesmo assim, ainda que bastante interessante, nota-se que parte desses motoboys percebem os riscos que vivenciam nas ruas como uma oportunidade para vivenciarem fortes emoções.


A esse respeito, pode-se encontrar associações significantes entre o abuso de substâncias ilícitas e os comportamentos de risco no trânsito, marcados pela ousadia, pela busca da “adrenalina”, da competitividade e da aventura.

Em outro sentido, o abuso de substâncias esteve associado à presença de transtornos mentais, principalmente da ansiedade, sinalizando a articulação entre o consumo de drogas e o sofrimento psíquico.


Quanto a se acidentar, pode-se identificar que os motoboys com histórico positivo de acidentes, apresentavam, de forma significativa, maiores dificuldades psicoemocionais. No entanto, ao se comparar o grupo de estudo com o grupo controle, viu-se que a dimensão da personalidade “abertura” foi significativamente maior entre os sujeitos que já tinham-se acidentados, condição esta que pode se relacionar com a propensão a ações variadas e a maior experimentação de situações novas.


Ressalta-se que, pela constante agilidade exercida nesse trabalho, e exigida pela sociedade, o motoboy expressa de maneira exemplar a fluidez das relações em um mundo globalizado, rápido e de espaços transitórios. Nesse sentido, os motoboys aqui estudados apontaram uma importante contradição da sociedade, que se fundamenta na rapidez e no imediatismo, exigindo fortemente esses comportamentos de todos, incluindo 102


esses jovens trabalhadores, ao passo que os criticam pelo excesso de velocidade, pelas realizações imediatas e pela ousadia que apresentam diante das demandas do mercado.


Transcrição de uma entrevista com motoboy sem cortes no contexto e na linguagem (sujeito 2 - cachorro louco)


Você trabalha como motoboy?


Sou uma raça em extinção, um cachorro loco. Tenho 25 anos, e trabalhei 8 anos na empresa “X”.

Eu também fiz uns bicos, muitas vezes, entre um dia de folga e outro, e posso te dizer que o estresse pega mesmo. Na época eu estava mais animado, era mais novo, e precisava muito do trampo, então meti a cara nisso.

É um trabalho que sempre teve risco, tenho algumas fraturas. Tem esse lado, é perigoso, e se o cara não tiver uma estrutura psicológica ele não aguenta, ou sai fora ou morre.

Nesse meio, também se usa muita droga, se não usar o cara não aguenta. Além do mais, a molecada aí não está nem aí com nada, ganham sempre pouco e trabalham muito.


Quando eu trabalhava em São Paulo, em empresas, eu corria para não ficar tanto tempo trabalhando, para terminar o mais depressa possível [o trabalho], e vir embora para casa. Andava muito por aí, e via muitos acidentes. Era obrigado a chegar e parar para ver algumas desgraças no trânsito.


Houve um acidente que eu vi na hora [em que aconteceu]. Era um caminhão que caiu em cima de um cara que estava falando no celular, o acidente aconteceu na minha frente. Isso me marcou muito.


Tem outros lados que “pegam”. A discriminação é um deles. As pessoas do trânsito tinham medo de mim, como se eu fosse um assaltante. Tive amigos que trabalhavam como motoboys, mas que a noite eram assaltantes mesmo, e assaltavam de moto. A maioria dos motoboys não é assaltante.


Por que você escolheu essa profissão?


Sempre gostei de moto, e não tinha nenhuma profissão. Eu já estava com uns 18 anos, então fui para esse lado, trabalhar como motoboy. Consegui tudo através da moto.

A primeira moto que tive, eu não tinha dinheiro nem para pagar os documentos dela.


No começo trabalhei uns 6 meses sem documentação da moto, e sem minha carteira. Fugia de polícia e de ladrão. Um dia voltei pela contramão numa rua para escapar de uma Blitz policial.


Já aconteceu de eu trampar de motoboy e me tentarem assaltar, mas eu saía no pinote. Já vi cara que trabalhava como eu, na mesma empresa, sofrer acidente fatal e morrer na Dom Pedro [rodovia].


Eu comecei a trabalhar com a moto porque não tinha profissão. É uma vida de correria e estresse. Havia muita zoeira também, porque tinha um ponto no centro de Campinas que quando pintava um estresse, eu parava nele e fumava uma maconha.


Teve uma época que de tanto estresse eu parecia um estranho. Eu precisava ganhar, ganhar, e abraçava o mundo, fazia mil trampos de moto para ganhar algum dinheiro. Mas com isso eu me tornava um barril de pólvora, mas a droga dava uma equilibrada, até que sofri um acidente, e pensei melhor. Pensei melhor também porque teve amigo meu que morreu, e ele era pai de família.


Sabe, a maioria dos motoqueiros que morrem é pai de família, não são caras da moto, são inexperientes. Os caras que são da moto, como eu, que sempre curtiram isso, e passaram a trampar com isso, são mais velhacos, mais espertos.


Eu corria, era uma necessidade correr, dava uma “adrenalina”. Algumas vezes, eram 3 horas da tarde e tinha que fazer 4 bancos. Então, eu tinha que correr como maluco, e furar fila de banco para dar tempo.


Os donos de empresas de motoboys falam para não correr com moto na frente da sociedade. Na nossa frente, eles fazem a maior pressão psicológica para você ter que fazer tudo a tempo. Você tem que correr, existe uma pressão.


Você corria com a moto pela pressão então?


Existe uma curtição nisso também, porque rola uma adrenalina. Muitas vezes, eu parava do lado de uma moto de playboy, uma moto poderosa, então, se o cara acelerasse, eu também acelerava. É um canhão que instiga a gente, é inexplicável. Você não quer ficar atrás do cara e nem o cara atrás de você.

Quando eu ia para São Paulo, rolava sempre na estrada uns “pega” daqui para lá.


O que é um “Cachorro Louco”?


É um [cara] meio coroa que está na área ainda. Um dia estava na marginal do Tietê, em frente da Editora Abril, e sem querer estourei o retrovisor de um cara, mas o cara era polícia, e colocou aquele giroflex para fora. Tive que correr muito, sair para fora da cidade, senão o cara ia me matar. Eu corri muitas vezes para fugir de uma enrascada assim, e às vezes, corri para fazer um “pega” mesmo.


Já topei com polícia boa também. Policial que não me prendeu, apesar da moto estar irregular, porque me conhecia e sabia que eu trabalhava, e que eu não era mau elemento.


Eu andava com a placa da moto erguida, para não levar multa, e isso é uma prática de assaltante. Um dia um cara da polícia me fez desentortar a placa, senão eu tava ferrado. Mas, como eu dizia, passou dos 25 anos, e está na área ainda, trampando de motoboy, então, você é “cachorro loco”. Os caras dizem: “Esse cara não vai sair disso”. E isso não tem nenhum futuro, isto eu sei.


Já pedi muito para dono de empresa que eu trabalhava fazer o favor de me tirar da moto, eu não aguentava mais o estresse, mas ele não tirava, dizia que não tinha como. Eu tinha que engolir isso.


Por outro lado, ter que trabalhar com coisas de escritório, coisas “embaçadas” assim como o seu trabalho, eu não aguentaria, porque eu acostumei de mais com a rua. Tenho que ter um trabalho que seja de rua, mas sem pressão. De qualquer jeito, o trabalho tem que ter alguma agitação.


Depois dos meus 26 anos não quero mais ser motoboy, quero ser só “cachorro louco”.

Chegando perto dos 30 anos de idade, ou seja, um cara mais velho, não se aceita mais o termo motoboy. Veja bem, tem aquele cara, o Francisco de Assis, chamado de “maníaco do parque”, ele era um cara mais velho que ainda era motoboy, ele queimou a imagem da classe. Ficou para muitos caras, mais velhos, e que ainda são motoboys, um pouco constrangedor. Então, se prefere ser chamado de “cachorro loco”. É uma maneira de fugir da discriminação.


Muita gente discrimina o motoqueiro. Por essas coisas, e o stress de ser motoboy, trabalhar demais, já pedi muito para sair dessa profissão para meu patrão. Cheguei a agredir ele. Eu dizia pra ele me tirar desse trampo, e ele apenas me oferecia um salário melhor, o que não adiantava nada, porque eu nem queria saber de dinheiro, eu queria é descansar.


Não consegui um remanejamento. Tive que sair mesmo da firma.

Depois que parei de trabalhar de moto, eu parei com as drogas também. O trabalho de motoboy acaba por fazer a gente se envolver com todas as coisas desse mundo, se envolver em “correrias” para fazer umas coisas erradas.


Eu tive uns amigos meus que ficavam fazendo umas “correrias” para pegar “tapes” de carros, e intercalado a isso faziam os trabalhos de motoboy.

Teve outro amigo meu que recebeu uma multa e acabou agredindo um amarelinho, onde já se viu isso.


O motoqueiro acaba nas quebradas, faz trocas até com as “minas” da prostituição. Por exemplo, eu levava pizza de graça para as “minas” e em troca elas saiam comigo.

Além disso, existe o lado positivo de ser motoboy, se o cara vai para São Paulo... lá o motoboy é mais valorizado, porque a cidade não anda, é tudo parado, se precisa muito desse serviço.


Aqui na região de Campinas têm muitos “terceiros” que acabam mordendo uma parte dos ganhos que o motoboy teria, são os caras que dão uma de atravessador.




Muitos motoboys não são os únicos em transgredir a Lei e a própria segurança. Existem ainda os motociclistas proprietários de possantes máquinas que chegam facilmente a 300 km/h e arrancam de zero a 100 km/h em apenas 3 segundos desafiando flagrantemente os limites de velocidade em rodovias, pilotando de forma temerária e ameaçadora aos demais condutores de veículos, uma clara demonstração de poder que alguns deles acreditam possuir domínio sobre tudo e sobre todos!



Muitos deles reúnem-se em grupos e disputam entre si uma espécie de corrida com máquinas modificadas com escapamentos alterados ou descarga livre que provocam ruídos ensurdecedores.


Basta observar à beira de rodovias, por exemplo a Via Anhanguera na saída de São Paulo aos sábados, domingos e feriados bem cedo que em grupos ou isoladamente trafegam com velocidades estimadas muito acima de 180 km/h pois sabem onde estão os radares. Pode-se ouvir os ruídos das descargas livres ou modificadas a centenas de metros.


No caso de uma queda nessa velocidade, mesmo que estejam com vestimentas adequadas, dificilmente não irão a óbito pelos impactos do sinistro. Uma demonstração de poder econômico, de extravasamento de euforia e insensatez cientes que raramente serão abordados por bloqueios policiais.



Com o advento do PNATRANS Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito 2021, assunto que já publiquei e pode ser acessado pelo link https://www.safethy.com.br/post/pnatrans, diversas Ações estão previstas para melhoria da situação que envolve os motociclistas e também o trânsito de modo geral no que se refere à segurança.


Baseando no quadro estatístico abaixo, observa-se que mais de 40% das vítimas fatais em sinistros de trânsito envolviam motocicletas, liderando o rank desses indicadores tão ruins para a sociedade.


Imagem crédito: CONTRAN


As metas são muito desafiantes, conforme o esquema determinado pelo Governo Federal:


Imagem crédito: CONTRAN



As ações através das obrigações estabelecidas pelo PNATRANS quanto ao envolvimento com motos mais especificamente, podem ser destacadas dentro dos Pilares do Plano:


Ação identificada como A2006

Atualizar e qualificar normativos e manuais com foco na proteção de motociclistas


P2017 - Elaboração de Manual de Soluções de Engenharia de Tráfego voltados à proteção dos motociclistas à cargo do CONTRAN Conselho Nacional de Trânsito.


P2018 - Atualização dos requisitos de dispositivos e materiais de segurança e

sinalização com foco nos motociclistas à cargo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.


P2019 - Regulamentação da instalação de defensas metálicas como dispositivo de

proteção ao motociclista através de Resolução do CONTRAN.


Complemento: para melhorar a segurança, os veículos devem ser projetados e produzidos atendendo à requisitos de segurança voltados a evitar colisões e atropelamentos (segurança ativa) e a reduzir o risco de lesões quando ocorre uma colisão (segurança passiva).


Além disso, é importante que os equipamentos de proteção, como cintos de segurança, sistemas de retenção para o transporte de crianças e capacetes para motociclistas, entre outros, sejam produzidos de acordo com os normativos e parâmetros de segurança internacionalmente consolidados.


Ação identificada como A3002

Aprimorar a segurança dos usuários vulneráveis no trânsito (pedestres, ciclistas e motociclistas)


P3003 - Aprimoramento dos requisitos técnicos de segurança para capacetes de

Motociclistas.


Complemento / Educação: as iniciativas e ações deste pilar atuam, em curto prazo, para eliminar os erros intencionais dos seres humanos, coibindo comportamentos de risco, e, a médio e longo prazo, para construir conceitos mais amplos de cidadania, mobilidade e de Sistema Seguro, promovendo as aprendizagens necessárias ao comportamento seguro e à apropriação de conceitos, mudanças de atitudes e procedimentos, de modo que cada indivíduo seja capaz de participar de forma autônoma na construção e na melhoria do espaço público, da mobilidade e da segurança, garantindo a prioridade aos usuários mais vulneráveis, pedestres, ciclistas e motociclistas, conforme estabelecido pela Política Nacional de Mobilidade Urbana e pelo Código de Trânsito Brasileiro.


Ação identificada como A4022

Veicular campanhas educativas de trânsito, preferencialmente associadas às ações de fiscalização e engenharia, com base nas diretrizes definidas pelo CONTRAN.


P4037 - Elaboração e veiculação de campanhas educativas de trânsito,

preferencialmente associadas às ações de fiscalização e engenharia, com foco na

eliminação dos erros intencionais dos usuários e nos comportamentos de risco que

mais causam lesões graves ou fatais, tais como:


1) beber e dirigir no meio urbano e rural;

(2) velocidade excessiva, em via urbana e rural;

(3) não uso de equipamento de proteção por motociclistas, como capacete

adequado, corretamente afivelado, luva, óculos, entre outros;

(4) uso do celular durante a condução;

(5) uso incorreto da cadeirinha para crianças;

(6) condução insegura, especialmente por motofretistas e ciclofretistas;

(7) falta de cuidado com os mais vulneráveis no trânsito (pedestres, ciclistas,

motociclistas)


Todas essas ações não serão simples de empreender e dependerá da sociedade interagir de forma construtiva, não importando as questões ideológicas, políticas ou sociais. Além disso, as disposições legais e cabíveis pelas autoridades competentes dos órgãos de trânsito ou que estejam afetos ao SNT Sistema Nacional de Trânsito.



Possibilidades que poderiam ser adotadas pelo colegiado do PNATRANS


Ações dirigidas como alterações ou PL Projetos de Lei votados em regime de urgência poderiam contribuir para a redução desse quadro social tão evidente quanto aos péssimos resultados que matam um motociclista por dia só no Estado de SP.


Ideias para iniciar as contramedidas em sintonia com o PNATRANS poderiam ser listadas:


  1. Inclusão do Exame Toxicológico obrigatório e anual para condutores da Categoria A

  2. A regulamentação municipal definitiva ainda não adotada em muitos municípios para a exploração dos serviços de motofrete e mototáxi

  3. A criação de vistoria veicular obrigatória semestral para todas as motos com laudos em empresas de vistorias credenciadas pelos DETRANs, rastreadas e auditadas contra fraudes.

  4. Ampliação da fiscalização e convênios com prefeituras GC para atuarem em maiores amplitudes do CTB

  5. PL que elimine a exclusividade de fiscalização de determinados Artigos do CTB passando a haver competência irrestrita às Prefeituras, Polícia Militar, Polícia Civil, Rodoviária Estadual e Federal a atuarem em qualquer ambiente de trânsito aberto ao público, seja urbano ou rural.

  6. Aperfeiçoamento técnico para fiscalização de trânsito dos agentes em todas as esferas policiais. a matéria Trânsito passaria a ser mandatória nas competências policiais.

  7. Eliminação da ostensividade prevista no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito e do CTB quanto às exigências de fardamento e viaturas caracterizadas para fazer valer o poder de fiscalização. A exemplo dos Estados Unidos e Canadá, onde os policiais usam veículos descaracterizados localmente chamados de unmarked são eficazes nos flagrantes em rodovias e cidades, principalmente nas infrações de semáforos, velocidade, conversões e segurança no trânsito de modo geral.

  8. Aumento das atividades de fiscalização com uso de etilômetro e de observação comportamental estratégica do trânsito através de câmeras estrategicamente posicionadas.

  9. Obrigatoriedade do uso de roupas adequadas para pilotagem de motos, aprovadas pela ABNT que reduzem as lesões em casos de sinistros, mesmo em áreas urbanas independente de temperatura ambiente.

  10. Aprimorar a inteligência aplicada para a fiscalização para que nas rodovias não abusem da velocidade, alterações ilegais dos equipamentos obrigatórios e obstrução da legibilidade da placa de licença.



Assim como o Instrutor Ricardo Pazzini fez suas recomendações postadas neste Artigo, deixo também minha mensagem:


SE VOCÊ É OU POSSUI ALGUM AMIGO OU FAMILIAR MOTOCICLISTA, SEMPRE VALE LEMBRAR QUE O COMPORTAMENTO DE SEGURANÇA AO PILOTAR UMA MOTO SIGNIFICA A DIFERENÇA ENTRE A VIDA E A MORTE.


SIMPLES ASSIM!


Agradeço pela leitura deste Artigo que ficou muito extenso, mas abrangente, na expectativa de que com a sensibilidade das Autoridades de trânsito de fato comecem as mudanças pela segurança no trânsito conforme determinado pelo PNATRANS.


Agradeço também à ROSIMARIA SILVA, de São Paulo, SP, pela gentileza de sua mensagem sobre a Segurança no Trânsito que foi enviada e postada logo abaixo.




Um forte abraço!





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