• Thyrso Guilarducci

Workshop para grupo diversificado (Parte VII)

Updated: Apr 4

As principais causas dos acidentes de trânsito



O fator humano lidera significativamente como a causa principal dos acidentes de trânsito. As outras duas que são os fatores das vias e ambiente completam a tríplice geradora das ocorrências que podem trazer graves resultados.


As falhas humanas podem-se firmar com base nas ações decorrentes da negligência, imprudência ou imperícia, que isolada ou separadamente, formam os elementos graves que figuram até como Artigos 949, 950 e 951 do Código Civil Brasileiro.


Das falhas humanas no comportamento ao volante, podemos enumerar nove fatores fundamentais:




1 - Excesso de Velocidade


A sinalização sobre a velocidade máxima é o resultado pelos estudos técnicos e de engenharia que estudam o local de modo a adequar a velocidade do veículo com os fatores da via, tais como inclinação, graus de traçado em curva, aclive ou declive, local urbanizado e adensado de moradores, índice dos acidentes ocorridos historicamente no local e a Regulamentação estabelecida pelo CTB e CONTRAN.


Tenha em mente que um determinado limite de velocidade pode ser uma condição de pista seca e limpa, pois do contrário, poderia haver a perda do controle do veículo ou ainda veículos pesados que devido à sua natureza estrutural podem tombar mais facilmente.


Infelizmente, até as fabricantes de veículos incentivam a velocidade com suas peças promocionais sobre a potência e torque dos seus veículos que são capazes de ir de zero a 100 km/h em poucos segundos, 8 por exemplo, porém não fazem questão de informar a distância exigida para uma parada total do veículo estando a 100 km/h.


A velocidade é um fator de adrenalina, principalmente em alguns homens jovens que são levados pelo espírito dos desafios e veem no carro um complemento da afirmação de soberania sobre os recatados cumpridores da Lei e dos limites de velocidade.



2 - Fazer uso ou ingerir bebidas alcoólicas e/ou drogas ilícitas ao dirigir


Um dos temas mais polêmicos que é muito debatido em função de duas vertentes. A primeira a Lei que é taxativa e não tolera que motorista conduza veículos quando estão sob efeito de álcool e/ou drogas (ilícitas principalmente) porém, mesmo as lícitas podem se enquadrar numa infração. Por outro lado os defensores dos direitos individuais baseando-se no instituto do Neme tenetur se detegere que se fundamenta pela Constituição Federal em não produzir provas contra si mesmo.


Seja como for, está comprovado por autoridades científicas que o efeito do álcool e das drogas afetam sim a capacidade cognitiva e retardam, confundem e desorientam as ações dos condutores que em muitos casos "apagam" repentinamente, como é o caso das anfetaminas após a exaustão se sobrepor.


Além dos efeitos físicos e neurológicos, há as agravantes das penalidades legais pelo CTB e o Código Penal, principalmente se houver vítimas por acidentes.



3 - Não usar o cinto de segurança inclusive passageiros nos outros bancos.


O uso do cinto de segurança realmente oferece uma proteção efetiva ao motorista e ocupantes de qualquer veículo. Ninguém é capaz de segurar-se fixo ao banco em caso de uma colisão. Fatalmente quem está nos bancos dianteiros de um veículo atingirá o parabrisas com a cabeça e muito provavelmente será jogado para fora do carro passando pelo parabrisas em casos de maiores velocidades se não estiver atado ao cinto.


Os passageiros do banco traseiro podem ser arremessados à frente atingindo os ocupantes do banco dianteiro fatalmente. Nos casos de um capotamento, o veículo gira em torno de seus eixos verticais e horizontais e os passageiros sem cintos podem ser arremessados pelas laterais. Uma das razões de tantas vítimas fatais em acidentes com ônibus nas estradas é que a maioria dos passageiros não usam o cinto de segurança. Os efeitos são os mesmos que ocorrem nos automóveis.


Felizmente o hábito do cinto tornou-se uma realidade, porém persiste ainda uma resistência pelo uso no banco traseiro. Outro detalhe que jamais deve ser usado são as presilhas que deixam o cinto mais folgado. Alguns motoristas acham que incomodam os pontos em contato com o corpo e por isso colocam prendedores ou clips que travam o cinto. Isso é errado e ilegal. Numa colisão, o espaço entre o cinto e o tórax será suficiente para um golpe violento que pode ocasionar lesões elevadas e até a morte com hemorragias internas.



4- Combinação do uso dos celulares e direção


Essa atitude está devidamente comprovada ser de alto risco pela perda da concentração no ato de dirigir. Ninguém possui a capacidade cognitiva para prestar toda a atenção necessária ao trânsito se usar um celular, principalmente no WhatsApp ou semelhantes aplicativos de textos e imagens. Mesmo com o uso do viva voz, a pessoa perde o foco na direção. Se o assunto for muito sério, maior será o desvio da atenção à direção.


Diversos estudos científicos comprovam que usar o WhatsApp dirigindo aumenta em 4 vezes a possibilidade de praticar e sofrer um acidente.




5 - Não utilizar e não respeitar as setas


Esse hábito nocivo realmente pode ocasionar acidentes. Ninguém pode adivinhar qual a intenção do motorista que simplesmente efetua uma conversão ou mudança de faixa simplesmente sem uso das setas.


Uma atitude muito simples, porém quem esquece ou é relapso, pode se tornar causador de uma colisão. Pedestres são vítimas potenciais pois atravessam uma esquina imaginando que o veículo seguirá em frente porém ele faz a conversão subitamente sem usar as setas. O atropelamento pode ocorrer facilmente nesses casos.


Outro fator é o de não respeitar a sinalização do veículo com as setas ligadas. Não custa respeitar: reduza a velocidade e permita que o veículo que está sinalizando faça a sua manobra. Importante também sempre verificar se a seta desligou automaticamente após a conversão, pois em algumas situações isso não ocorre e a seta fica ligada indevidamente causando confusão no trânsito. Isso pode levar o motorista efetuar uma curva à direita com a seta ligada para a esquerda...


Por abordar as setas (luzes indicadoras de direção), vale recordar que no Brasil não se usa o pisca-alerta com veículo em movimento. É muito comum e perigoso transitar com essas luzes durante a chuva ou neblina. Engano das pessoas e podem ocasionar algum acidente. Pisca-Alerta somente com veículo parado, salvo alguma exceção prevista em Lei.




6 - Não manter distância de segurança do veículo à frente


Esse sem dúvida é um dos fatores graves no comportamento ao dirigir. Muitos motoristas praticamente "colam" no veículo que segue à frente e isso pode significar um grave acidente de colisão traseira numa súbita redução da velocidade do veículo da frente.


Existem diversas regras sobre a distância mais segura e isso é bem extenso, motivo que farei em breve uma Publicação exclusiva desse tema. Mas, para não deixar esse item sem uma informação adequada, para os automóveis uma distância de 3 segundos é ideal em pistas secas. Para quem ainda não sabe, marcar a passagem do veículo da frente quando ele passar sob uma ponte ou alguma placa e contar um..dois...três sem apressar a contagem que são os três segundos. Se seu carro já passou pelo mesmo local marcado, retarde sua velocidade. Se não achegou ainda, ótimo. Esse é o procedimento dos segundos para distância de seguimento.


Quando não se guarda uma distância de segurança, também se incorre numa infração de trânsito por não manter distância de segurança. Embora essa autuação seja rara, existe e pode sim ser aplicada.


A maior preocupação não é pela penalização da multa, mas sim pelo fato de envolver-se num engavetamento se o veículo da frente parar rapidamente e você não se atentou no mesmo momento. A colisão traseira acontecerá com facilidade. Outra detalhe importante, ao ficar muito perto do veículo da frente, seu campo de visão fica reduzido e você pode passar sobre um buraco ou tampa de bueiro desnivelada, o que poderá causar danos e desgovernar seu veículo.


Manter distância segura preserva a sua vida! Atente a isso! Na foto abaixo um flagrante de risco e imprudência! O motorista do caminhão azul praticamente está "empurrando" o automóvel prateado à sua frente.




7 - Uma só mão ao volante


Dirigir com apenas uma mão ao volante é um hábito muito ruim e arriscado. Numa súbita necessidade de alguma manobra evasiva, por exemplo, não haverá tempo para uma resposta e isso pode ser a causa de uma colisão ou tombamento.


Esse mau hábito até bem pouco tempo atrás era muito comum pelos taxistas com seus braços esquerdos pendurados pela porta do motorista. Um cidadão inglês perguntou seriamente a um jornalista se os carros aqui costumam cair ou se desprender as portas porque ele estranhou muito esse comportamento. Pode ser hilário porém é uma infração de trânsito e como disse, de risco. Se por alguma razão você tem esse costume, trate de colocar ambas as mãos ao volante e somente retire uma delas para manusear o câmbio ou algum comando do veículo.



8 - Cansaço, fadiga e sono


Aí estão três fatores que podem agir juntos ou separadamente de modo que o motorista perca o controle do veículo e com isso provocar uma colisão com consequências graves e até trágicas.


Cada um deles tem potencial de reduzir ou anular a concentração na prática da direção. Muitas vezes todos esses fatores se acumulam e o risco é elevadíssimo para um acidente.


Não se julgue intocável pelo sono, cansaço e fadiga. Eles podem te vencer sem aviso prévio. Se você trabalha para alguém, faça um bom planejamento de sua viagem, descanse antes do percurso. Se não se sentir disposto, o mais correto é esclarecer com a supervisão um plano B para não se envolver em acidentes.


Algumas situações provocam sonolência, como fazer refeições pesadas quando em viagem, calor excessivo, tédio, solidão, alguma medicamento (cuidado especial com isso), etc.


Na figura abaixo, um exercício para você pensar:



Se você respondeu pela número dois, possivelmente errou. Pense: numa rodovia sob forte nevoeiro, você fica muito atento, procura olhar com muita atenção os carros próximos, a pista, as faixas, enfim, nem pisca seus olhos de tanta atenção ao trajeto.


Na opção dois, o perigo é maior pelo tédio e constância. A estrada é reta, seca, de dia, não há tráfego, você se cansa com isso e pode cair em sonolência por monotonia.


Veja na imagem seguinte alguns fatores que causam fadiga.


9 - Não observar a via


Nesse último item, uma falha comum aos motoristas é por não observar a via por onde transitam. Afinal, o que se observar numa via?


A mais óbvia e lógica resposta é pelo desimpedimento da marcha. Isso significa que você precisa de espaço livre para manter sua velocidade numa rua, avenida, rodovia e até em estradas. Se houver por exemplo grande concentração de pessoas caminhando nos passeios, calçadas e até na pista numa avenida, você poderá ser surpreendido por alguém invadindo o seu espaço e por isso adequar a sua velocidade para parar rapidamente se for preciso.


Outros pontos importantes são as sinalizações, cruzamentos, semáforos, pedestres, animais, buracos e imperfeições, curvas, aclives, declives, poças de água, sujeira ou lixo sobre a pista, veículos agrícolas, carro de mão, crianças brincando, chuva, garoa, gelo, neve, poeira, fumaça.


São inúmeros elementos que podem interferir na sua direção e por essa razão, é fundamental observar a via cuidadosamente. Para isso, não usar o celular e evitar conversas prolongadas com seus caronas que exijam muitas reflexões. Mesmo para motoristas experientes, a concentração ao volante é fundamental para a segurança.




Para finalizar, assista ao vídeo abaixo e responda a seguinte questão: o motorista da carreta conseguiria esse resultado se estivesse distraído?





Concluímos mais uma etapa do Workshop. Como podem perceber, os assuntos são amplos e isso demandará muitas publicações.


Até a próxima e obrigado pela leitura.


Deixe seus comentários e sugestões para melhoria do Safethy!


Thyrso Guilarducci

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