• Thyrso Guilarducci

O temperamento no modo de ser (Parte II)

Neste série do temperamento, comentarei sobre a responsabilidade.



Elemento fundamental nas atitudes dos seres humanos, a responsabilidade não poderia ficar de fora na lista de componentes do temperamento que associadas entregam uma relação mais humanizada no trânsito e porquê não entender, na vida em todos os sentidos.


Comecemos pela imagem da ilustração onde a mãe pata toma a posição de vanguarda para que seus seguidores filhotes sigam os exemplos de ações que vão ajudar na formação de suas vidas. Isso transcorreu com cada um de nós, sejam os pais ou tutores. Diferente dos humanos, os instintos animais favorecem que se aprendam as responsabilidades e manifestações pela própria sobrevivência.


Nós temos as mesmas características instintivas, porém o círculo social diversificado cria conflitos de orientação e daí surgem as castas, tribos, etnias e muitos mais divisores sociais que nos enquadram como DENTRO ou FORA, ou seja, temos de lutar para sermos reconhecidos e merecedores dos créditos pelos pares no mesmo lado de cada círculo.


Para quem teve uma educação dentro da média histórica das famílias em qualquer lugar do planeta, os pais ensinam os filhos aquilo que o instinto não fornece. A própria preservação da vida assim que a criança começa a andar, é chamada atenção para não rolar escada abaixo, não subir em móveis e levar quedas e colocar objetos na boca para se engasgar etc.


Aos poucos vamos tomando ciência do papel que nos cabe para não sermos atropelados ao cruzar uma via, não queimar a mão no fogão ou eletrocutar-se numa tomada, tudo isso pela persistência dos pais que chamam a atenção e aplicam aos seus filhos os ensinamentos básicos para a vida. A Responsabilidade dos pais pelos filhos é permanente. Mesmo casados, muitos filhos ouvem sermões dos pais pelas possíveis falhas que a vida ainda não lhes corrigiu (por exemplo afundar-se em dívidas consumistas).


Focando agora a responsabilidade no trânsito, por exemplo, um motorista de veículo pesado tem sob sua proteção cinco vidas que podem significar 220 pessoas afetadas. Como assim? Imagine que o motorista esteja dirigindo um caminhão betoneira e à sua frente segue um automóvel, atrás de si um motociclista, pelo lado esquerdo um carro particular e pelo lado direito um ônibus lotado. Pela cena, trata-se de uma via pelo menos com três faixas e com trânsito intenso.


Esse motorista tem em suas mãos as vidas de todos esses quatro condutores, pois numa falha que eventualmente ele possa cometer, distraído com celular ou olhando GPS ou pegando uma folha de papel no assoalho, ele desgoverna-se e provoca uma colisão traseira, freia assustado e o motociclista colide à sua traseira. Tentando desviar do problema, força saída pelos lados e atinge o carro da esquerda. O ônibus da direita tenta evitar a colisão com o caminhão tombando e também tomba com todos os passageiros.


Resultado:

5 condutores, cada um com 4 membros na família = 20 pessoas

50 passageiros no ônibus cada qual com 4 membros na família = 200 pessoas

Dependendo da gravidade poderia ser 55 vítimas fatais e 145 prejudicadas pela tragédia em suas famílias, isso considerando que fora o ônibus, os veículos não tinham passageiros além do condutor.


Essa tragédia quase romana e exagerada é um cenário muito possível quando a responsabilidade é esquecida, ignorada. Cabe-nos manter a responsabilidade em evidência no Trânsito, pois nossas atitudes sempre refletem na vida alheia.


Imagem: acidente fatal ocorrido no Texas, USA por uso de celular ao dirigir.

Crédito: Syracuse.com


É muito comum um condutor de caminhão ou ônibus reclamar de sua empresa pelas regras severas que são impostas pela Lei e pelas ordens internas da organização e até mesmo das Leis do Trânsito.


Sim, não é fácil atender às tantas demandas assim, sabemos disso, mas não foi fácil um médico cirurgião com o bisturi e outros instrumentos de precisão proceder uma intervenção no paciente quando um milimétrico erro pode levar à frase mais temida pela equipe cirúrgica: “Hora do óbito, 12:55h” .


Imagine quanta dor, angústia e remorso podem invadir os sentimentos porque no íntimo aquele renomado cirurgião perdeu o seu foco no momento exato de um corte que invadiu um órgão e afetou mortalmente o paciente...


Tudo são resultantes das causas e efeitos. Quem dirige sem agregar a responsabilidade nas suas tarefas fatalmente vai se expor, e aos demais, aos riscos de um sério acidente.


Responsabilidade não é uma opção, é inerente às suas atividades.


Andando, pilotando moto, dirigindo carro, caminhão, carreta, bi trem, ônibus, carro de aplicativo, todos têm responsabilidades elevadas.


Para quem entende que a prevenção é cansativa, chata, conversa para boi dormir, experimente um acidente!


No próximo post desta série, um novo tema na classe do temperamento.


Até lá!


Thyrso Guilarducci


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