• Thyrso Guilarducci

Mestres em Comando

7 - Cuidados indispensáveis




Antes do texto propriamente dito, respondendo a uma pergunta que pode ser a dúvida de mais pessoas, o título desta série possui uma explicação. Trata-se de um reconhecimento aos motoristas exemplares em suas condutas como profissionais, como cidadãos e sempre dedicados às questões da Segurança no Trânsito. Da mesma forma, aos líderes e gestores que mesmo não estando ao volante de um veículo adotam ações para as prevenções dos acidentes.


MAIO: MÊS DE REFERÊNCIA PELA SEGURANÇA NO TRÂNSITO


Muitos excedem aos próprios rigores da legislação e aprimoram os procedimentos com regras rígidas que melhoram a performance de uma frota inteira como resultado com zero acidente ou minimizar ao máximo qualquer incidente. Portanto, essa comunidade merece a denominação de MESTRES pelos exemplos e valorização à vida! Eles são sim os MESTRES EM COMANDO e todos têm o meu aplauso.


É normal que empresários e autônomos achem que as despesas diretas e indiretas para adoção de medidas preventivas são elevadas e isso somado aos já altos custos administrativos e operacionais de uma frota afeta o resultado financeiro. Para essa colocação, eu vou mencionar uma frase muito famosa citada pela Engenheira Glória Benazzi que é integrante da ASSOCIQUIM e da ABNT/CB-016 - Comitê Brasileiro de Transportes e Tráfego como Chefe de Secretaria.


"Se a prevenção pode custar cara, experimente um acidente"


Acredito ter posto às claras a origem do título e então, vamos prosseguir.


Direção Defensiva obviamente nos remete a palavra chave: DEFESA


Vamos então avançar um pouco nesse sentido. Observe na figura abaixo uma cena provável na rotina de um motorista de qualquer veículo. Um animal surge "do nada" e invade a pista repentinamente e você está numa rodovia e na velocidade máxima do local. O que fazer?



Imagino que para alguns leitores faltou a letra (f) nas opções, mas deixemos o preciosismo de lado analisemos a questão tecnicamente.


Supondo que seja numa de nossas rodovias e não no limite das 25 mph que corresponde a 40 km/h, por exemplo onde o limite é de 90 km/h para os pesados e 110 para os leves, rodando em um trecho de pista simples com tráfego intenso em sentido oposto. Acostamento deficitário como o da foto acima.


Das cinco opções acima somente uma seria a menos grave, seria a letra (d) por atropelar o animal. Isso seria desumano, falta de amor aos seres vivos, desprezo pela vida animal...É difícil tomar decisões assim e em reflexos de segundos. Todas as alternativas menos a letra d podem levar a um acidente mais grave como tombamento ou capotamento, além de colisões com outros veículos.


A letra (a) diz para acionar os freios violentamente e sair da pista. Isso é totalmente arriscado a perder o controle do veículo levando-o a um tombamento.


A letra (b) sugere desviar rapidamente para o acostamento. Observe pela foto que o acostamento é estreito e ao lado um declive brusco que faria o veículo capotar ou tombar.


A letra (c) seria a mais grave de todas porque com tráfego intenso poderia ocorrer uma colisão frontal, a pior de todas.


A letra (d) a escolhida e menos traumática


A letra (e) é redundante. Sair da estrada para onde? para esquerda o invade o sentido oposto: já mencionei isso na letra (c). Para a direita vai cair no desnível acentuado logo após o acostamento: já mencionei na letra (b).


A pergunta que não havia na cena acima. E se fosse uma pessoa, uma criança?

Sem dúvida alguma, seria desviar rapidamente para o lado de onde a pessoa saiu aplicando os freios e certamente vai cair no buraco após o estreito acostamento. Mas uma vida seria salva, se não fosse atropelada pelo fluxo oposto.


De fato nessas condições há necessidade de uma capacidade de julgamento e tomada de ação extremamente rápidas e eficazes para evitar ou minimizar um acidente.


Por essas razões, dirigir atentamente e com a velocidade ajustada ao local é a melhor atitude preventiva.





Já disse em posts anteriores que ao dirigir qualquer veículo, principalmente os pesados, deve-se ter em mente a responsabilidade à sua volta e dirigir por 5.

Como assim?



Acredito que após examinar a imagem acima a resposta tenha satisfeita a questão. Dirigir por cinco seria o mínimo envolvido, pois normalmente os veículos não possuem apenas o condutor embarcado. Passageiros acrescentariam vidas. Pensando assim há ainda as famílias afetadas. Isso tudo já alcançou um patamar sinistro de resultados no caso de uma séria colisão.


Dirigir por cinco não é complicado. Basta seguir algumas regras básicas como essas abaixo que foram destacadas pelas autoridades de trânsito nos Estados Unidos.





MAIO: MÊS DE REFERÊNCIA PELA SEGURANÇA NO TRÂNSITO


Estados Unidos e Brasil são dois países imbuídos na tarefa de reduzir os índices de acidentes e mortes no trânsito. Isso é altamente positivo, ambas as nações e muitas mais pelo mundo na busca de zerar as perdas de vidas por acidentes de trânsito, assim como milhares de vítimas feridas gravemente afetando seriamente uma família, a sociedade e a economia de uma nação.


O número de vítimas fatais em ambos os países estão relativamente próximos, porém os cenários são contrastantes. Vejam no quadro a seguir um retrato da infraestrutura em cada um desses dois países.


Lembro que já mencionei em post anterior que além das diferenças abaixo apontadas, há ainda fatores climáticos a considerar. Independente de onde esteja, é fundamental manter uma constante atenção no ato de dirigir.


Veja um panorama sobre feridos graves pelas autoridades de trânsito nos Estados Unidos em 2018 conforme o NHTSA National Highway Traffic Safety Administration ou a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (que é o órgão Federal dos Estados Unidos dedicado às questões de segurança nas rodovias).





Os números são similares a uma pandemia. No Brasil as informações não são totalmente claras, mas de acordo com o IPEA, em 2014 houve cerca de 26.000 feridos graves nas Rodovias Federais. No Relatório é informado que isso pode significar 20% dos registros nacionais. No caso a estimativa seria de 120.000 feridos graves registrados no ano em questão. (fonte https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=26277)


De fato a frota, total de rodovias, população e riscos nos Estados Unidos são bem maiores. Se cruzar as informações com proporcionalidades é possível que as taxas por km ou por habitantes sejam mais próximas, mas esse pormenor não é relevante para nosso objetivo que está focado nas ações que reduzam os acidentes cada vez mais por atitudes efetivas.


Quanto as prevenções, uma renomada organização de ensino da Segurança no Transporte dos Estados Unidos apontou quatro fatores que causam mortes a considerar. Vejamos a seguir.




Esses quatro elementos isoladamente ou em conjunto podem ocasionar sérios acidentes de trânsito. Todos eles representam além de infrações de trânsito, uma atitude de irresponsabilidade que pode ser motivo de uma Ação Penal sem prejuízo das demais consequências.


A Velocidade já foi muito comentada neste Blog e não custa repetir. Respeitar os limites da via conforme a sinalização ou na falta desta, o CTB Código de Trânsito Brasileiro. É importante alertar que a velocidade máxima numa via, mesmo para os veículos pesados não é irrestrita. Por exemplo uma via de trânsito rápido com limite sinalizado de 80 km/h para veículos leves e 60 km/h para os pesados, dependendo do veículo, da carga. do traçado e inclinação da pista, a 50 km/h supostamente poderia excessiva e provocar o tombamento de um caminhão, carreta ou ônibus.


Outro fator para qualquer tipo de veículo são as condições adversas como pista molhada, suja, à noite, com nevoeiro ou fumaça etc. Nesses casos a velocidade deverá ser reduzida até que não comprometa a tração e direção, independente das placas de sinalização.


Já comentei num post anterior sobre as diferenças comportamentais dos motoristas que dirigem nos Estados Unidos ou Canadá e aqui no Brasil. Todos conhecem a regra que ao se aproximar de um cruzamento, via férrea ou seja qual for o motivo e existir a placa R1 conhecida como PARE. Nos três países são semelhantes: parar o veículo e depois avançar se não houver conflito. No Brasil os motoristas desprezam essa atitude e apenas dão uma rápida olhada e não param o veículo. Isso pode ocasionar um erro de julgamento e resultar numa colisão, além de ser uma infração de trânsito.


Na América do Norte a cultura é simples. Parar o veículo completamente, olhar cuidadosamente e só então prosseguir a marcha. Uma só Lei que lá é respeitada e aqui desprezada.


Além desses fatores, não respeitar uma via preferencial, forçar a passagem também são manobras de riscos e infrações gravíssimas.


Um motorista de veículo pesado deve conhecer o seu veículo rigorosamente, principalmente as dimensões. Não são raras as ocorrências de caminhões que colidem contra viadutos porque ignoraram a sinalização do limite. No Estado da Pensilvânia nos Estados Unidos há um viaduto ferroviário sobre uma via local com altura menor do que os gabaritos tradicionais. Por se tratar de uma estrada de ferro eles ainda não elevaram os trilhos e o viaduto para aumentar a altura, por qual razão desconheço, mas a realidade é que as câmeras de segurança no local já registrou inúmeras colisões daquelas que arrancam totalmente o teto de um baú ou parte alta de cargas.


O local possui ampla sinalização, pórtico de advertência antes do local mas mesmo assim, as colisões são constantes. Já virou rotina. Uma demonstração que os descuidos humanos não possui nacionalidade.




Assim como colidir a um viaduto é resultado da falta de atenção, a mesma consequência ocorre ao ingressar em vias não condizentes com o veículo. Os transtornos são imensos e em alguns casos geram acidentes. Mais um exemplo da falta de atenção.


Não manter distância de segurança do veículo que segue à frente é outra imprudência muito grave. Não se trata apenas da infração, mas da elevada possibilidade de uma colisão traseira que pode ser fatal dependendo os veículos envolvidos, a velocidade e a posição dos impactos.


A distância ideal é obtida por fórmulas que consideram os segundos de deslocamentos entre os dois veículos. Automóveis em pista seca normalmente 2 segundos e caminhões 7 segundos porém, conforme algumas condições adicionais, o espaçamento em segundos pode aumentar bem mais.


Quem se interessar em conhecer mais detalhes dessas regras, visite o blog no endereço abaixo que fiz uma ampla abordagem do assunto


https://www.safethy.com.br/post/workshop-para-grupo-diferenciado-parte-xi




Todas as ações em nome da Segurança no Trânsito significam vidas que se preservam!


Até o próximo post!


Thyrso Guilarducci














13 views0 comments

Recent Posts

See All