• Thyrso Guilarducci

Mestres em Comando

Updated: May 27

20 - Velocidades e Frenagens



Nesta 20ª publicação da série Mestres em Comando prosseguiremos com o tema das velocidades, frenagens e mais alguns aspectos que direta ou indiretamente fazem parte dos resultados na Segurança no Trânsito.


A velocidade é a principal componente da aplicação das forças necessárias para uma frenagem. É uma coisa bem compreensível que a energia necessária para uma parada total de um veículo é diretamente proporcional à velocidade no exata instante em que se inicia o processo da retenção (aplicação do sistema de freios)


No quadro abaixo são exemplificadas três condições importantes no cenário de uma frenagem. Vejamos:


Veículo


Um veículo leve com bons freios tende a para totalmente em menor tempo e menor espaço. Isso pode ser explicado por algumas das leis da física que determina a distância de parada conforme a velocidade e o coeficiente de atrito. Existe uma fórmula matemática que expressa: D = V² / 250 μ na qual:


D = Distância em metros

V = Velocidade

μ = Coeficiente de atrito


Para que essa fórmula seja demonstrada é necessário obter-se o coeficiente de atrito e isso requer cálculos variáveis como a massa do veículo (peso), velocidade, rugosidade do pavimento, ventos, temperatura etc. Mas isso não é nosso objetivo nesse estudo da segurança no trânsito e vamos então simplificar pelos dados abaixo na imagem.



Em resumo, os veículos maiores e pesados tendem a maior espaço e maior tempo para a parada, embora alguns modelos disponham de tecnologia eficiente como freios ABS e EBD, discos ventilados no lugar de tambores tradicionais além do sistema Retarder, freio motor e uso das marchas de maior torque para juntos atuarem na redução extrema da velocidade até a parada total.


É importante saber que nem todos os veículos pesados possuem essa tecnologia embarcada. Sofisticados e de custos elevados esses dispositivos são opcionais em algumas marcas e modelos de caminhões e ônibus e representam um baixo percentual em circulação.


Os fatores da carga carregada, estado dos pneus, sistema de freios em perfeitas condições, a velocidade e as reações do motorista fazem um conjunto final que pode diferenciar grandemente a distância de uma frenagem. Isso pode significar um acidente de sérias proporções!


Motorista


Se o motorista estiver distraído com celulares, rádio, conversando com colega, procurando objetos na cabine, seja qual for o motivo da distração, o tempo de detecção e reação da emergência aumenta muito e isso também é um fator decisivo para o resultado final da frenagem.


Pavimento


As diferentes condições de uma via podem significar muita distância adicional no espaço da frenagem necessário para a parada total e em muitos casos, possivelmente não suficiente para evitar uma colisão.


Asfalto ou concreto novos, seco e limpos são os mais rugosos e eficientes para o atrito. As condições de frenagens nesses tipos de pavimentos são as mais positivas.

Por outro lado, asfalto velho, sujo, com impurezas, óleo, graxa e molhado, provocam derrapagens e muito menor eficiência dos freios, mesmo com os recursos da tecnologia moderna nos veículos.


Ao dirigir em rodovias nessas condições é necessária maior atenção pois ter em mente que o espaço para uma frenagem é grande, reduzindo a velocidade pode-se poupar espaço se for necessária uma parada súbita. Uma coisa óbvia, a gravidade altera o efeito da frenagem. Nas subidas os freios são mais eficientes e ao contrário nos declives que o veículo é impulsionado mesmo sem tracionar. Fácil de entender as razões!


Vejam na figura abaixo como a velocidade interfere na distância de parada total















Influência das cargas para performance das frenagens



Conforme o peso e distribuição da carga embarcada no veículo as respostas de frenagens podem variar muito.



CARGAS MAL FIXADAS NO VEÍCULO PODE CAUSAR FATALIDADES!


Muitas cargas que viajam soltas sobre a carroçaria ou semirreboques ou ainda mal fixadas com segurança e resistência podem se deslocar no caso de uma freada brusca ou na ocorrência de uma colisão.


O princípio de entendimento é o mesmo do cinto de segurança. Se o motorista ou passageiro está devidamente utilizando o cinto de segurança, no caso de uma colisão ou freada repentina, o cinto retém a pessoa que não atinge o parabrisas com a cabeça ou em casos mais graves, saiam arremessadas para fora do veículo.


O mesmo ocorre com uma carga que é colocada sobre o veículo. Se não estiver ancorada firmemente ela poderá se projetar à frente e atingir a cabine e os ocupantes.

Isso é muito comum no transporte de postes, vigas, madeiras, toras, estruturas de aço, lanças de guindastes e pedra brutas de grande dimensão.


As carretas e caminhões tanques também são críticos quando não houver separadores quebra ondas internos. Nesses casos só podem transitar vazios ou com carga total. O movimento do líquido (slosh) poderia desequilibrar o veículo tombando-o facilmente.


Vejamos agora um cuidado que nunca deve ser posto de lado. As distâncias de segurança!



É interessante observar que mesmo diante de um alto apelo publicitário pela condução segura, os motoristas Norte Americanos persistem nas velocidades sem manter uma distância segura do veículo que segue à frente.


Não bastassem as transgressões das leis locais, há ainda as agravantes climáticas muito severas como neve, gelo, ventos, ciclones, furacões, tornados, queimadas, enchentes, poeira, enfim, inúmeros fatores que comprometem a segurança e ainda assim muitos motoristas de carretas "colam" à traseira de outro veículo.


No caso de uma súbita parada do tráfego, possivelmente ocorrem os engavetamentos monstruosos envolvendo 4, 5 ou mais veículos pesados que esmagam os automóveis no meio daquela massa de destruição. Infelizmente, mortos e feridos são registrados.


É possível que alguém imagine um certo exagero de minha parte, porém isso é verdadeiro, objeto de muitas fiscalizações e campanhas pelos DETRANs locais além do Órgão Federal dos Transportes.


E no nosso país? Isso acontece? Talvez apenas a neve e gelo sejam bem menores nas incidências climáticas, no resto não somos muito diferentes. O desrespeito é flagrante, principalmente dos veículos pesados em rodovias. O mais complicado é que além da falta de consciência nas atitudes, um Agente de Trânsito tem dificuldade de configurar essa infração por falta de medição técnica. Somente na percepção sem definir qual a distância no ato da fiscalização torna-se inválida a autuação ou se autuar, o infrator terá à seu alcance facilidades defensivas pelos argumentos da impropidade.


Resta então a divulgação e apelo aos motoristas que entendam e pratiquem uma direção segura seguindo as regras das leis da física já que as do trânsito carecem de uma regulamentação mais direta e sem "meias conversas"



De modo geral, acidentes são 100% previsíveis. Basta ter em mente a pergunta que se faz à si mesmo "E SE...?" Isso mesmo, qustionando-se por exemplo:


E se o motorista da frente frear de repente por algum motivo?

E se algum carro cruzar a pista logo à minha frente?

E se aquela moça atravessar a pista? Ela não olhou para o meu lado!

E se depois dessa curva houver um bloqueio?



No exemplo abaixo está bem evidente que a carreta poderia literalmente passar sobre o automóvel se ele brecasse por alguma razão qualquer. Não há espaço algum para uma manobra segura nesse caso como desviar.


Se ocorrer um acidente nessas circunstâncias e resultar em morte de algum ocupante no automóvel, não será apenas um acidente de trânsito. A perícia comprovará o fato da direção perigosa e temerária e isso poderá se converter em denúncia pelo Ministério Público como homicídio doloso, pois o condutor tinha ciência dos riscos e mesmo assim provocou um óbito concreto. No Direito Penal responderá por imperícia, negligência e imprudência (Artigo 18 Inciso I conforme inclusão da Lei 7.209/1984).



Em outras publicações já me referi que calcular a distância de segurança não é uma coisa muito simples de se fazer. São muitas variáveis e podem levar a equívocos. De qualquer forma, vamos avaliar algumas regras usadas pelas academias de ensino norte americanas e que servem muito bem para a nossa realidade.


Mesmo que não se consiga aplicar 100% já é uma vantagem em mentalizar os passos e aplicar as técnicas. Com o tempo e prática o motorista mudará seus hábitos e acostumará com essa postura.






Parece complicado? Na verdade é muito simples. Primeiramente é necessário saber qual o comprimento total do seu veículo e estar transitando abaixo de 65 km/h.


Agora é só marcar um ponto de passagem do veículo da frente e mentalizar o tempo em segundos que foi obtido pelos cálculos (por exemplo 8 segundos). Se passar no mesmo local antes de 8 segundos a distância está insuficiente. Retire o pé do acelerador e dê mais distância.


Para contar 8 segundos basta falar um milhão e um. um milhão e dois...até oito


Essa frase falada normalmente sem interromper nem apressar até "um milhão e oito" terá um tempo muito próximo dos oito segundos. Simples assim.


Mas espere! Eu posso estar a 90 km/h. E daí?


Veja a orientação na imagem seguinte




Na próxima publicação darei continuidade ao tema que é muito importante e se alguém quiser comentar basta colocar nos comentários do Linkedin ou por aqui no Blog.


Grato pela leitura!


Thyrso Guilarducci


Aproveito para agradecer ao Dr. Pedro Guimarães, Cirurgião Dentista Bucomaxilofacial em São Paulo, SP pela gentileza da mensagem de segurança pelo Maio Amarelo, uma campanha internacional pela redução dos mortos e feridos no trânsito pelo mundo inteiro.




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