• Thyrso Guilarducci

Mestres em Comando

Updated: May 24

16 - Estratégias



Prosseguindo nos exemplos e detalhes estratégicos, os motoristas de veículos pesados possuem situações mais complicadas pela obstrução visual em boa parte do veículo.


Por exemplo, os chamados pontos cegos que podem ocultar uma moto ou mesmo um automóvel à sua traseira e algumas distâncias na frente logo após o para-choque dianteiro.


Para quem trabalha com veículos articulados, as tradicionais carretas, manobrando pelo lado direito é um exercício de muita atenção pois o retrovisor desse mesmo lado só vai mostrar a lateral do semirreboque e não uma tangência do final por onde passarão as rodas naquele lado.


Mesmo pelo retrovisor do lado esquerdo, a imagem refletida será um espaço inerte e apenas onde se projeta a passagem da traseira do cavalo mecânico.


Conclusão: para uma manobra de marcha ré nessas situações é muito mais seguro que uma pessoa capacitada e treinada oriente ao motorista as manobras sem riscos.


No trânsito não se usa a ré mas mesmo em seguimento, os pontos cegos existem e podem ocultar veículos. Por isso as mudanças de faixas devem ser extremamente cuidadosas e bem sinalizadas.



Além das questões dos pontos cegos, as condições adversas contribuem para dificultar a direção segura. Por essa razão é importante adotar estratégias nos casos de tráfego intenso, vias sinuosas, clima, iluminação.

Cada uma dessas dificuldades exige uma ou mais estratégias preventivas ao dirigir.


Na ilustração abaixo são apresentadas quatro situações.

O que fazer em cada uma delas?


Tráfego: ajustar a velocidade para o fluxo, manter distância e extremos cuidados com a sinalização e mudanças de faixas. Evitar freadas bruscas assim como manobras muito rápidas que possam ameaçar os demais condutores e pedestres.


Via sinuosa: cada detalhe exige uma reação. Nas curvas extremamente fechadas, dirigindo veículo muito longo ou articulado, cuidados com veículos que possam invadir a área de trajeto e provocar uma colisão. A culpa seria do "invasor" mas a prevenção cabe ao bom motorista. Muitos condutores de automóveis não conhecem a geometria desses veículos de grande porte e se colocam em posição de alto risco.


Clima: chuvas significam riscos por derrapagens, outros motoristas que têm as suas visibilidades reduzidas, pedestres que abaixam a cabeça e atravessam a via sem muitos cuidados e com a visão prejudicada por guarda chuvas, vidros embaçados na cabine, principalmente parabrisas, retrovisor sem visibilidade, maior distância necessária para paradas por não frear bruscamente.


Nevoeiro ou neblina: para fins de visibilidade ambas condições são ruins. Nessas situações o uso de farol baixo é obrigatório, se dispuser de faróis auxiliares de neblina devem ser acionados. A visibilidade cai drasticamente e a velocidade deve ser reduzida à máxima possível sem oferecer riscos de colisão traseira indo devagar demais. Jamais usar o pisca alerta com o veículo em movimento. Mesmo com forte nevoeiro, isso é infração e pode confundir outros motoristas.


Quando a visibilidade cair a zero, o mais sensato é localizar uma área de escape e aguardar o tempo melhorar. Não pare no acostamento pois o risco de colisão é grande, exceto em casos emergenciais. Produtos contra o embaçamento ajudam. Procure um de boa marca e mantenha no veículo. O uso do ar condicionado direcionado ao parabrisas ajuda rapidamente a resgatar a visibilidade.


Neve ou gelo: no nosso país esse fenômeno raramente será experimentado pelos motoristas, todavia vale lembrar que são riscos de tração. As rodas perdem o contato com o pavimento e o veículo não obedece ao comando da direção, da tração e dos freios. Quem costuma viajar para o Chile e Argentina passam pela Cordilheira dos Andes e ali essas condições estão presentes no inverno. O gelo é pior do que a neve. É mais escorregadio e muitas vezes invisível.


Imagem: Serra na Cordilheira dos Andes - Chile / foto por Thyrso


Fumaça: um grande problema é entrar numa formação de fumaça. Nunca se sabe ao certo se é apenas uma estreita coluna ou pode se espalhar por centenas de metros. Entrar em velocidade na fumaça pode significar altos riscos. Alguém assustado para o veículo totalmente sem saber para onde ir.

O melhor ao avistar a fumaça é acender o farol baixo e lanternas, reduzir a velocidade do veículo, fechar a entrada de ar externo e manter o ar condicionado ligado.

Prestar atenção às faixas da pista até sair da formação. Logo após, abrir os vidros e o difusor do ar condicionado para ar externo. Assim limpa os resíduos das galerias e renova o ambiente dentro do veículo.


Ventos fortes: não se pode desprezar os efeitos dos ventos fortes, principalmente por quem vem pelos lados. Para um veículo carregado o problema é menor, porém veículos altos e com grande área lateral como ônibus, carretas baús ou sider, câmeras frias, quando vazias podem ser impulsionados lateralmente pelos ventos e provocar o tombamento.


Nos Estados Unidos são muito comuns esses tombamentos em áreas de ciclones e furacões quando os ventos na região atingem 80 km/h facilmente. Aqui no Brasil isso não é comum, mas ao perceber que os ventos forçam o veículo, reduza a velocidade para aumentar a aderência dos pneus. Quanto maior a velocidade menor é o coeficiente de atrito e isso pode facilmente empurrar o veículo com a força do vento.


Para automóveis e pequenos veículos, abrir os vidros dianteiros e traseiros de modo a permitir a passagem do vento em menor área de resistência. As vans e pequenos furgões são os veículos que mais tombam pelos efeitos de ventos fortes laterais.


Temperaturas extremas: normalmente os riscos nessas condições são os efeitos causados ao veículo e ao motorista. Frio em excesso pode comprometer o rendimento do veículo assim como calor. O motorista deve proteger-se com bons agasalhos no frio e no calor ventilar bem o veículo e redobrar a atenção ao painel sobre alguma anomalia indicada como pressão do óleo, temperatura etc.



FATORES DE RISCOS



De acordo com o painel acima, a súbita interrupção do tráfego é a maior causa de acidentes, pelo menos nos Estados Unidos. Isso se explica devido as boas rodovias e velocidades altas, normalmente em 3 ou mais faixas. Se repentinamente ocorre um problema que interdite a faixa, os veículos são forçados a parar rapidamente ou mudar de faixa. Isso provoca engavetamentos sérios. Quase um terço dos acidentes ocorrem por essa razão, cerca de 28%.


Outros fatores mostrados no quadro acima representam cada um 20% e outros diversificados acidentes completam com 12% a totalidade das ocorrências. No Brasil as percentagens são um pouco diferentes mas de certo modo se equivalem. Por não termos muitas rodovias de pistas duplas, as colisões frontais são muito maiores proporcionalmente e com altos índices de óbitos pela natureza dos impactos.


Isso nos remete a refletir sobre as ultrapassagens indevidas, manobras de riscos e abuso da confiança!


As condições adversas são efetivamente um grande problema para a segurança no trânsito. Por exemplo, um estreitamento de pista não observado, mesmo sinalizado, pode provocar uma colisão lateral, assim como chuvas e pistas molhadas podem comprometer a estabilidade provocando derrapagens e colisões.


A visibilidade prejudicada é outro fator adverso. É tão importante enxergar a pista e os obstáculos que é impossível trafegar sem referências visuais. Regra básica: surgiu nevoeiro ou neblina, manter farol baixo com lanternas, acionar o limpador do parabrisas se necessário, guiar-se pelas faixas e luzes do veículo à frente.

Em casos extremos, procurar um refúgio saindo da pista até melhorar as condições.



MOTOCICLETAS


Quem dirige veículos pesados deve estar muito atento às possibilidades de um motociclista ocupar os espaços no ponto cego. Normalmente nas cidades, os moto-fretistas costumam trafegar pelos corredores entre veículos, fazem manobras muito rápidas de uma faixa para outra e por isso é muito fácil que sejam atingidos numa manobra de mudança de faixa.



É importante aos motociclistas estarem atentos à dinâmica do trânsito evitando manobras rápidas de riscos por colisões e quedas. Invariavelmente nas colisões com motos os pilotos são as maiores vítimas pessoais.


BICICLETAS


De acordo com o CTB as bicicletas devem trafegar no bordo da pista pelo lado direito em fila indiana. As bikes devem possuir equipamentos de sinalização e segurança. Os veículos ao ultrapassarem as bicicletas, devem manter uma distância lateral de pelo menos 1,5 metro. Essa distância é impossível de se precisar, mas o bom senso do motorista pode calcular e assim não ultrapassar muito próximo.


Uma ultrapassagem da bicicleta em alta velocidade pode desequilibrar o ciclista com o vento se estiver muito próxima. Não é difícil imaginar uma queda antes das rodas traseiras de um ônibus ou caminhões passar literalmente sobre a bicicleta e do ciclista!



ANIMAIS



Já comentei em post anterior que numa situação sem opções será inevitáveis atropelar um animal, resta essa saída para não causar um capotamento, colisão ou tombamento. Infelizmente a vida do animal se perde mas outras vidas humanas foram poupadas.


Realmente é impossível ter total domínio numa rodovia a 90 km/h onde subitamente um animal invada a faixa e ao lado outros veículos estão transitando e em sentido oposto da mesma forma.


PEDESTRES



Ainda no tópico das estratégias, todo cuidado com os pedestres devem merecer pelos motoristas. Muitos pedestres não conhecem as Leis de trânsito, andam com celulares totalmente desligados do mundo à sua volta e chegam a atravessar uma via como se estivesse dentro das suas casas. A rigor, eles estão errados, porém cabe ao motorista evitar um atropelamento.


Uma vida poupada é um fator de extremo respeito à sociedade. Os méritos serão do motorista mesmo que apesar de suas precauções ainda seja mal visto e ofendido pelas pessoas de pouca cultura e inconsequentes.


Esse é um preço a se pagar pelo exercício da direção!


O assunto das estratégias é bem vasto e darei continuidade no próximo post. Com isso os leitores poderão assimilar o conteúdo e se for o caso, manifestar alguma questão ou ideia para inserção.


Agradeço pela leitura.


Um especial agradecimento à Dra. Thais Pinheiro, muito competente fisioterapeuta em urologia, atuando em São Paulo - SP pela sua mensagem logo abaixo no sentido de proteção às vidas na Campanha Maio Amarelo!



Thyrso Guilarducci




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