• Thyrso Guilarducci

Complexo de Ferrari

Updated: Dec 13, 2021

Idolatria à máquina vai além do "tuning"



Escapamento modificado, ruidoso e ilegal!


Historicamente o amor às máquinas, mais precisamente aos automóveis, motos e caminhões sempre destacou uma espécie de cultura tribal. Desde um simples adesivo colado na traseira do carro até sofisticados e caros arranjos de som e acessórios que podem alcançar custos iguais ou até maiores que o próprio veículo.


Fazer o seu veículo como único entre os demais é um apelo ao ego que possivelmente está associado às questões psicológicas de cada indivíduo, compensando nesse apelo às frustrações, angústias e revides sociais que não possuo argumentos calçados em fundamentos acadêmicos suficientes para tantos detalhes.


Uma coisa é nítida: nem todas as customizações ou modificações nos veículos são feitas seguindo o rigor da Lei. Por essa razão circulam livremente nas vias do Brasil veículos rebaixados, ruidosos com equipamentos de som e no sistema de exaustão (escapamentos livres), com vidros totalmente escuros, rodas e pneus fora das especificações originais e por aí seguem uma infinidade de mudanças.


O COMPLEXO DE FERRARI


Uma espécie de moda é flutuante e age como efeito rebanho numa parcela da sociedade com baixo padrão de bom senso, copiando "a moda" e aplicando em seus veículos as tendências do momento.


Como exemplo o efeito FERRARI de trocar o sistema original de escapamento do veículo por descargas livres ou com tubulações improvisadas que aumentam significativamente o ruído, sugerindo a quem não vê mas ouve o veículo, estar passando uma Ferrari, Lamborghini, Maserati ou coisa parecida na rua.


Aplicando esse ilegal sistema, um surrado Gol, Palio, Sandero ou de qualquer outra marca e modelo passa ruidosamente irritando à todos na proximidade.


Essa alteração é ilegal e sujeita à retenção do veículo para regularização, porém a fiscalização é muito pouca e não cabe aos Agentes Municipais de Trânsito atuarem nesse sentido. Há ainda uma complexa limitação da competência que restringe a Polícia Militar de Trânsito ou Polícias Rodoviárias Federal ou Estaduais a agirem.


O problema, além dos ruídos, está na emissão dos gases, pois muitas adaptações simplesmente removem os catalisadores e deixam a tubulação livre para que o som fique elevado a ponto de ensurdecer as pessoas próximas.


Alterações na suspensão, rodas e pneus, assim como na mecânica de modo geral, deveriam ser rigorosamente fiscalizadas e o poder público não ser condescendente com tolerâncias. Se um veículo é objeto de amplos estudos de engenharia, de inúmeros testes de estabilidade, uma simples alteração mecânica coloca tudo à perder.


A SEGURANÇA NO TRÂNSITO É ENVOLVIDA?


Para os leitores que já conhecem este Blog podem estranhar essa abordagem, afinal o tema por aqui sempre está ligado com a Segurança no Trânsito e o que isso tem haver?


Primeiro eu respondo que tudo que é ilegal contraria a segurança. Acrescento que os ruídos excessivos causam estresses às pessoas nas proximidades de um veículo ruidoso. Isso desencadeia uma irritação que desconcentra um pedestre para outros riscos, assim como os motoristas dos carros normais. A perda do foco, tanto de um pedestre como de um condutor pode resultar num sinistro de atropelamento ou colisão.


As tensões do próprio trânsito no dia a dia já são suficientes para exaurir a população, não necessitam de insanos adicionais, pelo contrário, requerem mais paz e qualidade de vida.


Na minha opinião a fiscalização deveria atuar não unicamente sobre os veículos irregulares, mas também nas oficinas que incentivam e fazem essas alterações, sejam elas de ruído ou de modificações na mecânica, como a suspensão por exemplo, assim como as lojas que oferecem dispositivos vendidos livremente em lojas físicas ou na internet por sites famosos.


Não seria mais prudente investir esse valor numa revisão do sistema original, preservando a emissão de gases e ruídos sem agredir as pessoas e às Leis?


Uma simples questão de bom senso, acessório não agregado à grande parte da sociedade, principalmente jovens imaturos.


Agradeço pela leitura e em especial ao Carlos Oliveira, empresário na cidade de Guarulhos, SP pela gentileza de sua mensagem (bem adequada ao tema) enviada ao Blog e postada logo abaixo.



Um forte abraço






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