• Thyrso Guilarducci

Balanceamento de Cargas

Uma correta distribuição da carga em carretas ou caminhões evita acidentes, transtornos, multas e prejuízos


Tudo é uma questão das leis da física, das especificações técnicas dos fabricantes de veículos e implementos, da resistência e durabilidade dos pavimentos, da legislação e acima de tudo, a SEGURANÇA VIÁRIA que está em risco quando um veículo é sobrecarregado além da capacidade máxima ou mesmo na concentração indevida sobre um eixo ou conjunto de eixos.





Uma questão de arranjos técnicos


As combinações de veículos, por exemplo cavalo mecânico + semirreboque, são projetados pelos fabricantes de veículos e dos implementos levando em conta os parâmetros para o posicionamento de ambos.


Isso quer dizer que o dispositivo de engate (5a roda) sobre o chassis de um cavalo mecânico possui cálculos milimétricos para fixação. Nem à frente e nem atrás do ponto tecnicamente definido. Da mesma forma a fixação do pino rei no semirreboque obedece critérios técnicos da distância da testeira (frente da carreta) até o local de fixação do pino.


Nos projetos dos veículos, as distâncias entre eixos são definidas de modo que o peso sobre o cavalo mecânico alcance a capacidade máxima dividindo, por exemplo, 10.000 kg no eixo da tração (cavalos de 2 eixos) e 6.000 kg no eixo direcional.


Quanto aos fabricantes de implementos, também projetam os semirreboques com distância entre eixos e balanço traseiro para que ao carregar o conjunto no peso máximo, o PBT Peso bruto total numa composição de 5 eixos, ficará com 25.500 kg sobre os três eixos da carreta.


ATENÇÃO


Um semirreboque projetado para cavalo 6x2 ou 6x4 (três eixos), possui um balanço traseiro menor pois o cavalo "trucado" possui maior capacidade de peso.


No caso de acoplar um cavalo mecânico de 2 eixos numa carreta projetada para cavalos de 3 eixos, fatalmente haverá excesso de peso no eixo da tração e dianteiro do cavalo se carregar no peso máximo.


Essa combinação não é proibida, mas exige um arranjo diferente do posicionamento das cargas de modo que o peso fique mais sobre os eixos da carreta e não igualmente distribuído.



Mas essa questão de TARA, LOTAÇÃO, PBT, PBTC, CMT ????





Desafios para os Despachantes ou Encarregados de Operações. No exemplo abaixo é abordada uma carreta para 30.500 de carga útil, mas o raciocínio é o mesmo para demais arranjos de veículos.


Quando se tratar de carga paletizada ou do mesmo tipo e peso, mesmo que soltas, a tarefa é menos problemática.


Mas e no caso de uma miscelânea como na figura abaixo?



Nesses casos a única forma de garantir-se uma correta distribuição de peso é embarcar as mercadorias por lotes. Sabendo-se que por hipótese, a capacidade da carreta na figura acima seja de 31.000 kg, sendo a mesma de 15 m de comprimento interno, dividindo 31.000 por 15 teremos 2.066 kg por metro. Para ficar mais fácil, 2 toneladas por metro linear.


Sabendo-se desse parâmetro, carregar mercadorias que pesem muito próximo de 2.000 kg na porção metro a metro até lotar. Isso é difícil? Sim, muito e é uma operação complicada, mas é a única forma de evitar a instabilidade do veículo e ainda ser retido na balança por excesso de peso em eixos.


Outra forma possível está na fórmula das tentativas e erros até resolver o balanceamento com o uso de balanças para aferir. Ocorre que as balanças que pesem eixo a eixo no Brasil não estão facilmente disponíveis.


Outro exemplo:


E se a carga for menor do que a capacidade?


Alguns cuidados com o espaçamento para não sobrecarregar eixos isolados.



CARGAS DESBALANCEADAS NÃO CAUSAM APENAS MULTAS


Uma carga desbalanceada afeta o equilíbrio do veículo, tanto como lateral como longitudinalmente.


Isso pode provocar acidentes graves!


Os excessos de pesos causam danos estruturais no veículo, no sistema de freios, de direção, dos pneus, da suspensão por completa e alteram a performance do veículo tanto para aclives como declives, comportamento em curvas e mesmo em ordem de marcha regular em retas. Acrescente isso tudo ao fato da ilegalidade, o resultado é um um "combo" sinistro!


Cargas irregulares podem desgovernar uma carreta!




O MOTORISTA DEVE ESTAR CIENTE DO TIPO DA CARGA EMBARCADA!


Na figura abaixo, três tipos de configurações. Vazio, carregada até o teto mas com pouco peso e com peso máximo mas até a metade da altura.


Cada combinação de veículo terá um comportamento nas curvas, nas frenagebsm descidas e subidas. A mais evidente e que pode facilmente tombar é a carreta do meio que tem a carga até o teto e mesmo sendo menor peso, o CG centro de gravidade ficou elevado e isso pode facilitar um tombamento.



Agradeço pela leitura e também ao Antonio Carlos Marques, motorista de aplicativo, pela gentileza de sua contribuição com uma mensagem referente à Segurança no Trânsito que foi inserida neste post logo abaixo.



Thyrso Guilarducci








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