• Thyrso Guilarducci

A tragédia manda aviso prévio sim!!!

Muitos sinistros de trânsito ocorrem dentro de uma condição prevista



Sobreviventes e familiares vitimados por sinistros de trânsito costumam dizer que foram vítimas de um acidente, mas na verdade, a grande maioria ocorre por condições totalmente previsíveis, principalmente no envolvimento das modalidades mais presentes nas estatísticas de sinistralidade de trânsito aqui no Brasil e não muito diferente em países mais famosos no mundo todo.



Descaso, ousadia, preguiça, desafio, imprudência, desconhecimento, imperícia, inaptidão, despreparo, negligência, todos esses predicados sozinhos ou em conjunto formam a cadeia das fatalidades e lesões graves no trânsito.


Vamos listar alguns desses fatores e comentar os erros e o que deveria ser feito.

Não vou aprofundar nos aspectos legais, infrações e valores de multas pois diante das gravidades físicas e morais isso fica num segundo plano e diga-se claramente, merecidas.


1 - Uso do cinto de segurança


Mesmo após décadas de tantas campanhas e fiscalização intensas sobre os grandes efeitos positivos que o uso dos cintos de segurança propiciam ainda é comum que motoristas ignorem esse equipamento obrigatório e dirigem seus veículos ilegalmente.


O mais grave é que além do motorista, os passageiros ignoram essa obrigação seguindo o mau exemplo do condutor. O desleixo é ainda mais comum por passageiros dos bancos traseiros e em ônibus de longos percursos.



O cinto de segurança é um equipamento que realmente pode salvar vidas. As diversas mídias especializadas divulgam fartamente estudos e laudos técnicos demonstrando ensaios e provas que demonstram claramente os efeitos de como são reduzidas as consequências de uma colisão aos ocupantes do veículo quando estão adequadamente usando os cintos de segurança.


A ideia de que sentado no banco traseiro estará mais seguro havendo os bancos dianteiros como escudo é um erro. A energia resultante de uma colisão é imensa e aumenta exponencialmente conforme maior for a velocidade.


Para se ter uma noção, segundo as leis da física, uma pessoa tem seu peso multiplicado por 4 quando está a 30 km/h e multiplicado por 32 se estiver a 90 km/h, aproximadamente no caso de uma colisão.


Dessa forma, sem o cinto, seu corpo será projetado para frente atingindo a cabeça dos ocupantes do banco dianteiro e até podendo sair pelo parabrisa a longa distância. Normalmente esse tipo de ocorrência resulta em óbitos.


Nota: nem pensar no uso de clips ou limitadores de movimento dos cintos. É comum alguns motoristas usarem um clip que mantém o cinto frouxo para não sujar a roupa pelo calor e transpiração. Isso é um erro muito grave e caracteriza uma infração de trânsito como se estivesse sem o cinto do mesmo modo.


Ocorre que com a folga causada pelo clip, no caso de uma colisão o motoristas ou passageiro terá um curso maior por não estar fixada o cinto rente ao corpo e isso projetará a cabeça contra o airbag em sentido oposto provocando sérios danos e até lesões cerebrais. Portanto, não invente nada, apenas use o cinto que foi meticulosamente estudado por engenharia especializada visando a proteção da sua vida e dos demais ocupantes do veículo.


USAR O CINTO DE SEGURANÇA POR TODOS OS PASSAGEIROS


Não movimente o veículo enquanto todos não colocarem os cintos!


Essa é a regra e que nada custa, nem tempo nem despesas adicionais.

Poupe as vidas!


2 - Dispositivos de retenção para crianças


Outro fator altamente importante e de certo modo ligado ao tema anterior, é a questão do uso dos dispositivos de retenção para as crianças. Uma grande maioria de motoristas ainda desconhece o que a lei determina e que pode realmente fazer a diferença pela preservação das vidas das crianças no caso de uma colisão.


São três tipos básicos


  • BEBÊ CONFORTO

  • CADEIRINHA

  • ASSENTO DE ELEVAÇÃO


Vamos nos deter em cada um deles.


Bebê Conforto – deve ser usado preso ao banco traseiro com a cabeça da criança voltada para a frente e no meio do banco de preferência. A criança fica presa ao dispositivo através das tiras próprias do equipamento o qual é preso ao banco através de presilhas apropriadas.



O equipamento possui duas peças principais: a base e o bojo onde fica a criança.

Siga corretamente o passo a passo para prender corretamente primeiro a base no banco e depois travar o bojo sobre a base.


Determinado para crianças de 0 a 1 ano de idade ou com peso de até 13 kg, conforme o limite estabelecido pelo fabricante do dispositivo de retenção.


Cadeirinha - para crianças de 1 a 4 anos de idade ou com o peso de 9 a 18 kg, conforme o limite estabelecido pelo fabricante do dispositivo de retenção.



Assento de elevação - para crianças com idade superior a 4 anos e até 7,5 anos de idade ou com até 1,45 metros de altura e peso de 15 a 36 kg, conforme o limite estabelecido pelo fabricante do dispositivo de retenção.



Cinto de segurança - para crianças com idade superior a 7,5 anos e igual ou inferior a 10 anos ou crianças com altura superior a 1,45 metros (sempre no banco traseiro).



No Portal Criança Segura (link abaixo) há muitas informações sobre esse tema.

Vale consultar!

Portanto, nada de levar crianças no colo, soltas nos bancos e muito menos no colo do motorista só porque vai “só ali pertinho”. A vida da criança está em risco com isso.


https://criancasegura.org.br/aprenda-a-prevenir/como-prevenir-acidentes-de-transito/


3 – Velocidade excessiva ou inadequada para o local


A velocidade sempre é apontada como um dos principais fatores de causas das fatalidades nos sinistros de trânsito. O comportamento irresponsável de muitos condutores de todos os tipos de veículos já foi tema de análises psiquiátricas, de terapeutas psicólogos, de especialistas em trânsito e das autoridades ligadas ao SNT Sistema Nacional de Trânsito, aqui no Brasil assim como pelos 5 continentes.



Os riscos da velocidade estão associados à questão da energia que se multiplica exponencialmente à medida que a velocidade aumenta.

Por exemplo, uma pequena moto de 125 cc comumente usada nas entregas urbanas, possui uma massa (peso) de 120 kg com tanque cheio. Colocando o piloto e um baú com alguma carga, pode chegar a 200 kg.


Essa moto de 200 kg colidindo contra um obstáculo firme como uma coluna de concreto de viaduto, por exemplo, resultará num impacto bem acima desse peso. Isso devido às leis da física em energia cinética.


Por exemplo


10 km/h – a energia será menor que o próprio peso, sendo em 80 kg. Aumentando um pouco mais a 16 km/h, o valor da energia é igual ao peso da moto. Porém, já a 40 km/h o impacto será de 1.300 kg, o que certamente levará o piloto ao óbito devido a desaceleração súbita contra uma superfície não deformável que possa absorver o impacto, ao menos parcialmente.


Fonte: campograndenews.com.br


A mesma lógica vale para automóveis e veículos pesados na mesma proporção.

Isso tudo nos remete a refletir que as sinalizações de limites de velocidades não estão colocadas no local aleatoriamente. Respeite esses limites e atue com muito bom senso em condições adversas.



Em dias de chuva, à noite ou com iluminação reduzida, locais com alta demanda de pedestres nas calçadas, aglomerações, presença de crianças e escolares, deve-se reduzir significativamente a velocidade.

Até mesmo os animais de rua como gatos e cães têm maior chance de defenderem-se de um atropelamento ao avistarem um veículo se aproximando.


As crianças podem sair da calçada para a via num piscar de olhos. Se estiver numa velocidade adequada ao local e dirigindo atentamente, haverá tempo para frear e evitar um sinistro que era totalmente previsível.


Numa rodovia pode conter uma sinalização de 80 km/h, porém em condições de riscos, essa velocidade embora seja permitida não seja a ideal para aquele momento devido a pista escorregadia, buracos e imperfeições, presença de pessoas caminhando no acostamento, tráfego intenso em sentido oposto, enfim, um raio X da situação que se resume na prudência em nome da prevenção de colisões ou atropelamentos.


Não estou abordando a questão das infrações de trânsito que possuem níveis de gravidade e de pontuações progressivos, mas vou citar uma condição que muitos motoristas desconhecem e trata-se de um crime de trânsito.


Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano:


Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa conforme decisão do Poder Judiciário.


Essa autuação pode concorrer com outra autuação pelo Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir.


Em resumo sobre velocidade:

Contenha o ímpeto e a agressividade.

Dirija com prudência o tempo todo.


4 – Transporte de pets


O suposto inofensivo gatinho ou um cachorro mesmo de pequeno porte não podem ser transportados soltos no veículo. Isso expõe a vida deles e dos ocupantes do veículo em riscos. No caso de uma desaceleração súbita ou até mesmo numa colisão, o animal será projetado para a frente e poderá atingir uma pessoa sentada nos bancos dianteiros ou mesmo ser rebatida no parabrisa com tal impacto que poderá matá-lo e ainda ferir gravemente uma pessoa.



O correto é o transporte em recinto apropriado (caixas) que são vendidos nos petshops com alças para carregar e travar com o cinto de segurança se estiver sobre um dos bancos ou bem preso com cinta no porta malas.

Pode-se usar também as amarras tipo peitoral que prende o animal pelas pernas e a barriga oferecendo mais segurança. Use o próprio cinto de segurança para prender o peitoral ou a caixa.


Crédito: buscape.com.br


Informe-se no seu petshop sobre os equipamentos mais indicados, mas não leve os animais no banco dianteiro e nem soltos.

Pode parecer cruel levar o pet numa viagem nessa condição, mas se decidiu que o companheiro viaje, deve ser protegido assim. Para amenizar, aumente as paradas para o pet movimentar-se com menos tempo preso diretamente.

Entenda que tudo que estiver solto dentro de um veículo pode ser deslocado violentamente para a frente numa freada brusca ou numa colisão e isso inclui os pets, as pessoas e objetos soltos.


5 – Distrações ao volante


A primeira coisa que nos vem à mente quando o assunto é a distração é o celular. E não é por acaso que essa associação se destaca. A quantidade de pessoas dirigindo e usando celulares ao mesmo tempo é imensa. O mais graves são as pessoas que dirigem digitando ou lendo mensagens. Os zaps que estão cada dia mais na rotina das pessoas não apenas para conversas mas, envio e recebimento de arquivos, imagens e negócios realizados pelo app WhatsApp ou Telegram.


A lei pune quem utiliza o celular ao dirigir separando a infração menos grave que é dirigir com apenas uma mão e outra segurando o celular. A infração gravíssima é de manusear o aparelho.


Essas infrações refletem os altos riscos envolvidos nessas ações irresponsáveis. Ninguém consegue realizar as duas coisas sem prejuízo nas ações. A divisão cognitiva reduz o raciocínio e retarda o tempo da resposta motora.


Os diversos estudos científicos comprovam que os motoristas dirigindo e usando celulares tem perdas da concentração em índices suficientes para causar um sinistro, principalmente de atropelamento de pedestre sobre uma faixa de segurança.

O grande problema é que o ato de dirigir exige atenção o tempo todo sem nenhuma exceção.


Ao olhar para a tela e ler uma mensagem de dois segundos, se o veículo estiver a 50 km/h rodará às cegas por 28 metros. Isso é o suficiente para uma colisão traseira, um atropelamento ou colidir lateralmente com outro veículo, subir numa calçada ou não acompanhar a trajetória numa curva.


No Estado de SP algumas rodovias (ainda) permitem velocidades a 120 km/h. Se um motorista autoconfiante usando celular e ler uma mensagem de 3 segundos nessa velocidade percorrerá 100 metros sem olhar a pista. Imagine que 100 m é a distância de um quarteirão nas cidades. Isso é suficiente para uma colisão traseira de graves consequências.


É muito comum se observar um veículo numa via desalinhando para esquerda e direita por não conseguir manter a trajetória. Ao olhar quem está dirigindo, o celular está nas mãos e a pessoa gesticulando entretida com o assunto.


Falamos dos smartphones, mas o GPS, multimídia, rádio, ar condicionado, tudo são dispositivos que devem ser ajustados com o veículo estacionado.


No Estado norte americano do Alaska, a infração de dirigir usando um celular é penalizada com multa que pode chegar a US$ 10 mil (aproximadamente R$ 56.000,00) e na reincidência dentro de um ano o valor é de US$ 20 mil (R$ 112.000,00).

Além disso, trata-se de crime de trânsito com 1 ano de prisão. Se houver sinistro de trânsito devido ao uso do celular resultando em ferimentos leves multa de US$ 50 mil (R$ 280 mil) e 5 anos de prisão, com feridos graves multa de US$ 100 mil (R$ 560 mil) e 10 anos de prisão e finalmente se houver óbito multa de US$ 250 MIL (R$ 1.400.000,00) com prisão de 25 anos.


Crédito: https://dps.alaska.gov/ast/recruit/additionalbenefits


DESLIGUE O CELULAR AO DIRIGIR PARA NÃO SER TENTADO A USÁ-LO


6 – Bebidas alcoólicas e drogas diversas


Mais uma gravíssima infração e possível crime de trânsito que muitos sinistros têm causados, principalmente por atropelamentos de pessoas até mesmo sobre as calçadas.


A Lei que rege esse assunto é uma das mais polêmicas pela profusão de debates e até de tentativas de eliminar a culpabilidade com base no que o Direito chama de nemo tenetur se detegere que traduzindo do latim pode ser algo como que ninguém é obrigado a autoincriminação, ou seja, não produzir provas contra si mesmo ao soprar o bafômetro.


A Lei seca como, como é conhecida, é muito clara e foi mantida pelo STF após apelação de entidades de classe que se viam no prejuízo pela restrição do consumo por motoristas. Felizmente isso não sensibilizou o Judiciário que manteve inalterada a “Lei Seca”.

Palavra-chave:

Não consuma bebida alcoólica por menor que seja a dose e nem use substâncias que causem dependências (drogas) ao dirigir.



Se respeitar esse princípio, estará longe dos problemas e ainda manterá a sobriedade para poupar uma vida no trânsito (incluindo a sua).


Lembre-se: além dos riscos pelo uso de álcool e/ou drogas, há o aspecto legal que pune severamente. O Brasil é um dos países menos tolerantes no mundo sobre o uso dessas substâncias, embora fiscalize de menos...

Seja como for, tenha em mente que ao ser abordado por uma fiscalização nesse sentido você será solicitado a soprar no bafômetro (etilômetro) para comprovar a sobriedade. Três são as respostas:


1. Sóbrio

2. Embriaguez com teor menor

3. Embriaguez com teor maior


No primeiro caso obviamente será liberado. No segundo, será autuado por embriaguez, o veículo deverá ser removido do local por outra pessoa testada como sóbria e habilitada na mesma categoria ou acima, a CNH será retida e a penalização posterior será de multa de R 3.000,00 aproximadamente e a suspensão do direito de dirigir por doze meses após o processo ser concluído pela autoridade de trânsito.


Na última condição, a embriaguez maior, o processo é semelhante ao anterior, porém haverá a autuação por crime de trânsito e o condutor é preso em flagrante e conduzido a Polícia Judiciária para o competente inquérito policial.


Se desejar conhecer um pouco mais sobre o processo da fiscalização desse tema veja o roteiro da Lei Seca na imagem.


Questão das drogas


Ainda não há uma fiscalização no Brasil com aparelho tipo etilômetro usado pelos agentes de trânsito nas abordagens, mas isso não significa que os agentes de trânsito não atuem nesse sentido.


O CTB e as Resoluções do CONTRAN possuem bases para isso, portanto é muito importante estar ciente de que dirigir sob condições de substâncias psicoativas é um risco muito elevado de levar a um sinistro de trânsito.

Anfetaminas (rebites), cocaína, maconha, haxixe, ecstasy, LSD etc, são as drogas mais conhecidas e infelizmente utilizadas por muitas pessoas, incluindo condutores de caminhões.


Essas substâncias além de ilegais, são causadoras de transtornos comportamentais e levam uma pessoa desde a sonolência, inconsciência e até a morte, conforme a dosagem.


Um alerta muito importante: o fato de usar um calmante ou medicamento que altere a capacidade cognitiva, provoca sono, relaxamento forte, deixa a mente confusa, embora sejam prescritas por um médico (são legais), não significa que se pode dirigir veículos.


Fonte: Estadão


Esses medicamentos, normalmente tarjas pretas, possuem advertências desses riscos e é ilegal dirigir assim como se fosse uma droga ilícita.

Como é detectada pelo agente de trânsito? A resposta está no comportamento do motorista. Ao ser detido numa abordagem ele demonstra atitudes desconexas, trajes desarrumados, falando palavras de tons alternados de ira e alegria, enfim, caracterizando evidências de que está sob efeito de alguma dessas substâncias, será detido e conduzido para a Polícia Judiciária a qual poderá encaminhar para uma clínica oficial que procederá análise da pessoas por exames especializados.


As consequências legais serão as mesmas daquelas ao dirigir com efeito de álcool em alta dosagem.


7 – Uso das setas (pisca pisca)


Muitas colisões laterais ocorrem por motoristas desatentos que mudam de faixa ou fazem conversões sem a prévia sinalização. O uso das setas não é uma opção, é uma obrigação.


É importante ter em mente que o uso das setas deve ser associado com a antecedência. Ligar a seta não significa livre para conversão. Mesmo com as setas acionadas o motorista deve observar cuidadosamente se os demais condutores entenderam e reduziram a velocidade para haver espaço de manobra e não ameaçar uma colisão.


O melhor meio é sempre efetuar manobras progressivamente de modo a corrigir algum imprevisto. Nem todos entendem ou praticam as normas, infelizmente.


Revise sempre o funcionamento das setas e dê atenção ao uso correto do pisca-alerta. Nunca trafegue com pisca alerta acionado, nem mesmo em chuva ou nevoeiro. Essa sinalização é exclusiva para veículos parados em local que ofereça riscos. Uma parada no acostamento ou em local que ofereça risco de colisão.


Transitar com o pisca alerta ligado confunde os outros motoristas e o efeito pode ser danoso.


8 – Não manter distância de segurança do veículo à frente


Um hábito muito arriscado e imprudente é o de transitar “colado” ao veículo que segue à frente. A ansiedade e a pressa levam as pessoas a conduzir veículos de modo agressivo e ameaçador.

A recomendação básica é de nunca dirigir dessa forma e se perceber alguém muito perto de sua traseira deixar que ele ultrapasse o quanto antes, favorecendo sua passagem.


Fonte: https://insurify.com/insights/states-with-the-most-tailgating-violations/ Massachusets USA


O risco é elementar. Numa parada súbita do veículo da frente, muito provavelmente o de trás não terá espaço para reagir e parar à tempo indo a colidir à traseira com graves consequências.

É de fato complicado e desafiante dirigir respeitando uma separação de segurança pois o espaço entre os veículos é logo ocupado por um apressado e assim o motorista cuidadoso reduz e cria um espaço que é também preenchido e assim um após outro vai causando estresse ao motorista prudente.


Mas é a única forma de manter-se seguro e não se envolver em sinistro de trânsito.

Como calcular a distância segura?


Esse assunto é um dos mais polêmicos quando se participa dos cursos de direção preventiva. A fórmula mais usual é a dos dois segundos, ou seja, mentalizar dois segundos na passagem do veículo da frente em um ponto fixo (poste, ponte, placa etc.) e ao atingir o mesmo ponto fixo se a contagem do tempo ainda continua é porque está muito próximo. Do contrário a distância é teoricamente razoável.


Se pelo menos esse método for adotado já é um ganho. Vale comentar que são muitas variáveis a considerar:


  • Tempo de reação que varia de pessoa a pessoa, idade, disposição física etc.;

  • Tipo do veículo que está conduzindo;

  • Se veículo é dotado de freios ABS e outros recursos tecnológicos;

  • Condições adversas na via como chuva, nevoeiro, sujeira, neve etc.;

  • Aclives, declives, curvas e imperfeições da via;

  • Visibilidade.


A Lei determina que se deve manter distância de segurança entre os veículos inclusive lateralmente, porém é uma situação na qual deve prevalecer o bom senso, pois não é especificada a distância em metros e se fosse, como seria a aferição?


A rigor, o tempo em segundos da distância de segurança para veículos pesados é ainda mais criterioso. Nos Estados Unidos as melhores academias de ensino para motoristas profissionais ensinam obedecer à uma fórmula que considera muitas variáveis. No esquema abaixo na imagem figura uma planilha que define qual é a distância conforme os riscos:




No exemplo da imagem a distância de 375 metros equivale a três quarteirões. Quem obedece a essa distância????


Observe nas nossas rodovias como os caminhões e carretas “colam” na traseira dos veículos menores ameaçando a vida dos ocupantes. A grande maioria dos motoristas não respeitam essa distância e são causadores de grandes tragédias.


Nem mesmo os condutores de veículos menores na maioria respeitam as distâncias. Quem não viu ainda um motociclista “colado” à traseira de um caminhão baú para aproveitar o efeito aerodinâmico e viajar no “vácuo”? Imagine o caminhão freando subitamente o motociclista vai entrar sob o parachoque traseiro do caminhão certamente.


9 – Fadiga e/ou sono



Dirigir tentando driblar o sono e o cansaço extremo é um atentado à própria vida e a vida de terceiros. Não existe nenhuma fórmula mágica que afugente o sono a não ser o ato de estacionar o veículo em local seguro e repousar.


Todas as tentativas de mascarar o sono apenas disfarçam e inesperadamente podem causar um apagão mais rápido do que seu controle de manter-se ativo. O sono é determinante e ganha a batalha sempre.


Até mesmo os usuários de drogas (rebites) acabam cedendo ao sono e perdem o controle de seu veículo, normalmente caminhões que se acidentam e ninguém entende como aquele veículo foi parar batido contra uma árvore afastado da pista.


Bateu o sono, pare e descanse antes que bata o carro!


Meia hora de sono pode recuperar a disposição para mais um trecho embora o ideal seria pelo menos três horas de sono para refazer a energia associada com alguma alimentação saudável.


É por essa razão que a Lei dos Caminhoneiros no Brasil determina a jornada máxima diária estipulando intervalos para descanso, assim como na maioria dos países.


A penalidade de multa por exceder o limite de jornada no Brasil é de R$ 130,16 4 adição de 4 pontos no prontuário da CNH.


Nos Estados Unidos a penalização varia de US$ 1.000 a 16.000 ( R$ 5.600 a 89.600) e no caso de transporte de produtos perigosos pode exceder a US$ 75.000 (R$ 420.000,00).


10 – Manutenção



Sabe aquele amortecedor dando sinal de inoperante? Assim como a suspensão, a direção, freios, pneus, enfim, todo o veículo deve ser revisado periodicamente para assegurar que esteja adequado conforme o manual do fabricante.


É muito comum que os proprietários façam as revisões dos veículos apenas no período da garantia. Passada a quilometragem ou o tempo, deixa para fazer apenas a troca de óleo e consertos daquilo que quebra.

Isso é muito problemático e as peças e componentes que se danificam com o uso podem afetar outros e numa cadeia de problemas tornar o veículo inseguro para rodar em segurança.


Se as revisões após a garantia tiverem custos astronômicos na revenda da marca, procure por oficinas mecânicas alternativas que sigam os mesmos procedimentos das concessionárias, possivelmente com menores custos. O que não se pode de modo algum é abandonar as revisões periódicas.


Esse é o caso da compra de um “seminovo” cujo dono anterior deixou para trás todas as revisões e o comprador confiante de ter feito uma boa compra de um veículo reluzente, não sabe o que está oculto nessa compra. Uma lista enorme de peças e componentes que precisam ser trocados com custos elevados que certamente afetará o seu orçamento.


Ficar atento às revisões do veículo que pretende comprar é indispensável e se comprar um nessas condições, tentar negociar valores compatíveis para colocar as revisões em dia.



11 – Considerações finais


Dirigir um veículo exige concentração, foco, muita atenção e evitar distrações. Todos os fatores elencados neste Artigo são relevantes e não há nenhum mais grave que o outro. Desde que qualquer deles possa levar a um sinistro de trânsito todos são preocupantes.


Os motoristas veteranos e confiantes também podem se acidentar exatamente pelo excesso da autoconfiança. Reflita nas próprias atitudes em cada uma das situações aqui comentadas e se tiver alguma sugestão a acrescentar, deixe seus comentários para uma nova publicação em nome da direção segura.


Juntos Salvamos Vidas!


Thyrso Guilarducci




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