• Thyrso Guilarducci

Trajetória Profissional

Updated: Apr 24

Não adiantou fugir!


Bem que tentei me esquivar desse depoimento, mas fui taxativamente cobrado a comentar sobre a minha carreira profissional até chegar nessa etapa atual onde inicio a Consultoria


Safethy - A Direção pela Vida


Acredito que ao publicar o tema "ACREDITAR" recentemente tenha sido a motivação para eu abrir um pouco mais da minha modesta atuação. Então vamos lá para um mix de biografia e jornada no "trampo". (Acabo de contradizer-me sobre linguagem culta!!! rs)


Anápolis, Goiás


Foi o local que nasci em 21 de janeiro de 1949. Isso mesmo, não foi em 1929 como os "amigos" acham. (rs).


Por questões familiares e dificuldades na fixação de moradias mais duradouras, fui desde a infância um pouco nômade, saindo de Anápolis para Tupaciguara, MG, depois Uberlândia, MG e finalmente Uberaba, MG. Não parou aí não, seguimos para Ribeirão Preto, SP e finalmente São Paulo na capital. Esfolei o quadril nos trens da Mogiana.


Em São Paulo morei em muitos bairros (deixa isso pra lá que só não vivi na Zona Sul).


No interior de SP morei em Ipaussu e depois Vinhedo. Meu saudoso pai era incialmente motorista na Secretaria da Saúde do Estado SP e era transferido com ambulância e tudo para essas duas cidades. Ele controlava a manutenção, dirigia e ainda cuidava de pacientes. A ambulância era tudo de insegura se comparar com as atuais. Uma pick-up Ford F-100 com caçamba normal coberta de lona e uma maca amarrada ao lado de um tambor com 150 litros de gasolina chacoalhando. Coisas surreais.




1960 - Meu pai Thyrso também, a direita e meu primo Henrique à esquerda. Eu no meio para não escapar da foto. Local: Vinhedo, SP.


Comecei a trabalhar muito cedo, ainda criança em Ipaussu numa fazenda de café na colheita e separação de grãos de café e em Vinhedo em duas fazendas, colhendo tomates e numa outra colhendo e encaixotando uvas niagara além de ajudar na olaria com movimentação de tijolos para o forno e carregamento em vagões. A fazenda ficava ao lado da estação da extinta Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Eu amava as locomotivas. Trens são meios de transportes...Meu sangue já se agitava!




Já nos anos 60 final e início dos anos 70 eu me dediquei a serviços de Despachante Policial e Auto Escolas.


Abaixo com o Renault Gordini II da Auto Escola comigo ao volante.


Após essa introdução vou direto para meados dos anos 70, após eu deixar esse trabalho e também uma passagem pela Aviação, assunto que vou me abster porque não se incluir no escopo.


O salto mais significante ocorreu em 1973/4 quando meu pai partiu e me vi inclinado a obter um trabalho mais sólido, buscando a independência social e econômica.


Pesquisando anúncios em jornais na cidade de São Paulo, um deles continha uma vaga para Chefe de Transportes de uma grande empresa na Construção Civil. Pensei: Porquê não?



Uma certa audácia, nenhuma vivência efetiva nesse meio mas acreditei. Fui entrevistado pelo Diretor Operacional, filho de italianos, extremamente metódico e dedicado ferrenhamente à causa do seu trabalho.


Eu morava na zona leste de São Paulo e consegui uma entrevista que estava marcada as 7 horas em Santo Amaro. Uma viagem de três horas ou mais de ônibus. Previdente que era, cheguei no local às 6:30 e procurei pelo Diretor.


Para minha surpresa, ele admirou-se da minha pontualidade e questionou-me sobre aspectos da família, minha história de vida, o que eu fazia nos finais de semana, enfim, a pergunta de um milhão:


qual era a minha experiência?



Fui bem claro, olhos nos olhos e disse: nenhuma, em alto e bom tom.


Ele abaixou a cabeça, não esboçou uma única palavra, levantou-se e alguns minutos depois que me pareciam horas, ele perguntou por que eu acreditaria ser aprovado para o desafiante cargo?


Respondi prontamente com a palavra PERSEVERANÇA.


Disse que acreditava possuir uma boa base teórica e muita vontade de aprender o desconhecido e pela pouca vivência, seria humilde suficiente para perguntar, estudar, questionar até estar convicto sem contudo perder a autoridade que poderia ser dada a mim.


Nos meus 25 anos, ainda jovem para esse cargo, algo me dizia que levaria um NÃO em alto e bom som. Só que não. Ele perguntou se eu estava fazendo teatro ou queria mesmo trabalhar?


Respondi a ele que só saberia a resposta confiando o cargo a mim. Ele então marcou para uma segunda entrevista no dia seguinte no bairro da Lapa, onde seria o possível local de trabalho. Cheguei bem cedo, ele me olhou fixamente de cima embaixo e disse que não queria mais perder tempo. O emprego era meu.


Apertou a mão com uma força tão grande que senti uma dor enorme e não podia esboçar isso. Acho que fazia parte do pacto. Aquele homem não tinha mãos e sim tenazes...risos.


Daí para frente eu carregava comigo um sentimento de lealdade no qual nutria meu foco em jamais desapontar aquele Diretor que nunca usava gravata e cheirava graxa e eletrodos queimados.


Foram 8 anos de uma longa história onde aprendi na raça a operar grandes carretas, guindastes, tratores e maquinários e ainda administrando mais de 300 deles pelo Brasil e no exterior.


Um dia eu queria saber um detalhe de pesagem de carreta prancha para embarcar um gigantesco trator e ele me olhou fixamente em silêncio e disse: Faça o que você achar correto! Não me desaponte! Acho que ele cortou ali o cordão de apoio e eu andei então pelas próprias pernas...


Fui literalmente um gerente e ao mesmo tempo motorista de carretas e operador de guindastes, escavadeiras, enfim, um estilo que o meu chefe praticava e estimulava sua equipe a copiar. Certo ou errado isso me deu a capacidade de entender muito sobre a mobilidade de carretas e máquinas pesadas fazendo acontecer. Foram muitas longas viagens que fiz dirigindo carretas com escavadeiras e tratores pelo Brasil e no exterior.


Atualmente isso não mais é politicamente correto e nem mesmo possível com o rigor da Lei Trabalhista, da função contratada que limita as atividades conforme o CBO e a fiscalização on line do Ministério do Trabalho pelo e-Social.


Será que passa na balança?


Assim começou minha visão do que eu poderia contribuir para que tantos acidentes que ocorriam na construtora tivessem uma redução.


Muitas vidas eram ceifadas por atos inseguros, condições de extremos riscos e poucas prevenções; típicos naqueles tempos. Eu mesmo sofri um acidente de trabalho por assumir riscos imprudentemente. Nada grave mas passei um reveillon engessado.


Pouco efetivamente pude fazer nesse sentido, mas foi a alavanca que me cobrava no íntimo para os novos desafios que viriam pela frente. Após 8 anos na construção civil, devido a crise internacional do petróleo, comecei na área de transportadoras.


Minhas experiências na área das transportadoras era igual a zero, contudo, parece que o espírito daquele Diretor do emprego anterior mudou-se para o gestor de uma grande empresa de transportes que em 1983 me confiou o cargo de Gerente de Operações, justamente por não possuir Vivência no seguimento e em tese não carregar vícios e posturas dentro de uma nova filosofia que buscavam adotar.


Isso rendeu assunto por muito tempo!


Transportadora - O Novo Desafio


Após a entrevista, em nenhum momento o Gerente Geral olhou o meu currículo e fez perguntas chaves sobre minhas aptidões como gestor sem adentrar as questões da área em particular. Com muitas colocações e histórias, colocou-me à prova de um modo inusitado.


Disse que estava muito ocupado e que eu atendesse a um chefe de setor ao telefone. Peguei o telefone e perguntei ao tal chefe como eu poderia ajudar? O tal chefe explicou que o assunto era com o gerente mas eu insisti e disse a ele que resolveria fosse como fosse, eram ordens do Gerente.


Só me lembro dos olhos arregalados do meu entrevistador fingindo não estar ligado no que eu dizia. Após entender o conflito que um motorista de carreta estava envolvido, sugeri algumas ações dentro do que eu entendia como bom senso.


O assunto foi resolvido e isso valeu o passaporte para 5 anos de trabalho, incluindo os enfrentamentos com indignados pela minha admissão!


Na primeira noite, já na ativa, no mesmo dia da entrevista (o pessoal tinha pressa), ao fazer uma ronda para integração das rotinas operacionais, observei uma atividade de embarque de uma empilhadeira num caminhão inadequado, com peso concentrado e alto risco de tombamento no percurso.


Os improvisos eram grandes, uma gritaria dos funcionários tentando colocar a máquina no caminhão. A carroçaria estalava e o truck pendia para um lado mais do que outro.


Calmamente intervi, mandei parar a operação e com cuidado retirar a máquina do caminhão. O chefe de serviço não entendeu nada, gritou com o meu novo chefe quem indagando quem era aquele cara (que era eu) dando ordens assim?


Pronto! Criou-se uma confusão dos diabos no Terminal de Cargas e eu bati o pé que aquele caminhão de modo algum viajaria com aquela máquina. Disseram e argumentaram que a máquina deveria estar no Rio de Janeiro no dia seguinte cedo. Eram ordens da Diretoria Geral que ficava na então Matriz – Rio de Janeiro


Respondi que contratassem um veículo mais adequado e seguro porque aquele provavelmente seria noticiário na mídia por grave acidente na Dutra (...)


Enfim, mantive a negativa!


Após todos se acalmarem e meu chefe ficar furioso, deixou-me a sós com os irritados colegas e a máquina de fato só seguiu no dia seguinte numa carreta mais reforçada.

Chegou às 14 horas no Rio e tudo se resolveu.


Passada a “ fumaça”, meu chefe me elogiou pela ousadia e pela atitude em nome da segurança.


Ufa!!! Porém comprei uma briga com os líderes que trabalhavam há anos e inconformados com minha postura! Claro, ouvi muitas piadas e todos tornaram-se amigos e solidários com o passar do tempo!


Bem, uma história das muitas que me incentivaram a aderir à Segurança no Trânsito.


Exemplos dos meus erros podem contar também. Mas isso será depois que o Blog estiver mais adiantado, pois corro risco de deslikes perpétuos (rs).


Minhas atividades no seguimento de empresas de transportes foram bem diversificadas, porém mais intensiva foi a Gestão de Operações. As circunstâncias naturais no mercado ocasionaram mudanças e com isso foram quatro grandes empresas tradicionais no Brasil e exterior. Aprofundei-me na Gestão da Qualidade e devido aos imensos desafios para certificar uma empresa pela Norma NBR ISO:9001 eu me tornei Auditor Líder com Certificado Internacional, além de participar da equipe que desenvolveu uma série de Normas para Transportadoras no SETCESP - Sindicado das Empresas de Transportes no Estado de SP


Os desafios na área de transportes são intermináveis e com isso assumi a Gerência Geral de uma dessas grandes empresas na Unidade de São Paulo, a maior delas.


Nos últimos anos dediquei-me às questões dos Empreendimentos como projetos e prospecção de novas plantas dentro do país de Norte a Sul. Minha experiência com desenhos arquitetônicos foi muito útil para desenvolver plantas e esboços de novas Unidades que eu negociava com investidores para futura locação.


Eu sempre comento que nessas atividades eu conheci o Brasil 100% dos Estados e principais cidades além de alguns países, desde a construção civil até a última posição. Eu sou muito grato por esse aprendizado e expansão dos conhecimentos geográficos e culturais que muito contribuem para enxergar uma realidade mais ampla. As constantes viagens e deslocamentos desde os tempos da Construtora e depois nas transportadoras impediram-me de uma formatura em cursos superiores. Era um preço a pagar pela atividade. Isso só resolvi agora em 2020! Finalmente consegui.


Novos Tempos


Agora num passado bem recente, alternei as atividades operacionais nas empresas de transportes e mergulhei no tema da Segurança no Trânsito, momento em que decidi me graduar nessa área.


Comecei me preparando como Instrutor de Trânsito e fiz o Curso Oficial de 40 dias corridos incluindo sábados numa Escola credenciada pelo DETRAN/SP e obtive minha Credencial para o exercício de aulas práticas ou teóricas (CFCA / CFCB) habilitado para todas as Categorias. De A até E. Já renovei a validade com curso de atualização e mantenho sempre ativa a minha credencial.


Embora não me dediquei intensamente ao ensino diretamente a alunos, esse Curso propiciou-me amplas visões atualizadas no ambiente de formação dos condutores e isso agregou muito valor ao meu projeto da Consultoria.


Na sequência, eu sentia ainda a falta de uma preparação mais estruturada e por isso busquei e concluí o Curso Superior de Segurança no Trânsito que concluí em 2020 e com muita alegria recebi o Diploma e a Láurea Acadêmica pelo bom desempenho.


Aproveitei e fiz alguns cursos complementares fora do país para alavancar meus conhecimentos e trazer para nossa realidade um pouco mais das ações exemplares para a Segurança.



Essas coisas me incentivaram a dedicar-me na Segurança no Trânsito, logicamente pelos fatos que presenciei durante os anos de atividades tanto na Construção Civil como nas Transportadoras.


Tudo o que posso oferecer além dos Workshops para sensibilização da Segurança no Trânsito podem ser vistos no meu site www.thyrso.com.br e pelo site www.safethy.com.br manterei apenas o Blog para os posts como este.


A pandemia tornou-se um gargalo para muitos, eu não sou exceção. Tenho convicção de que em breve poderei retomar alguns trabalhos presenciais em empresas de transportes ou frotistas para ampliar as ações voltadas para a Segurança no Trânsito.




Por questões éticas não mencionei nenhum nome corporativo ou de pessoas.


Agradeço imensamente pela leitura e estímulos que venho recebendo pelas muitas visualizações e comentários no Blog e no Linkedin.


Um forte abraço e Protejam-se!


Thyrso Guilarducci

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