• Thyrso Guilarducci

Mestres em Comando

18 - Obstáculos pelas Vias e Velocidades



Nesta 18ª parte da série Mestres em Comando continuaremos nas abordagens sobre fatores que possam exigir maiores atenções ao longo de uma viagem ou mesmo trafegando pelos locais próximos.


Quando se exalta a necessidade de estar o tempo todo atento ao ambiente enquanto se dirige um veículo não é apenas uma retórica repetitiva. Trata-se de uma recomendação muito apropriada porque as surpresas não mandam avisos prévios.


Por isso são surpresas!


Muitos acidentes ocorrem pelos sustos, pelas reações intempestivas que um motorista faz ao ser surpreendido. Exemplo, uma manobra brusca para não passar dentro de um enorme buraco que certamente vai danificar seriamente o veículo. Se estivesse atento, veria o problema na pista com mais antecedência e diminuiria a velocidade gradativamente podendo desviar ou se não fosse possível, passar com extremos cuidados na pista defeituosa.


Outra ocorrência muito normal e que leva muitos motoristas a um tombamento são as saídas repentinas da pista para o acostamento. Nesses casos há dois fatores a considerar.


Primeiro: se a atenção ao volante estivesse concentrada, muito provavelmente não iria para o acostamento tão rapidamente. Efetuaria uma manobra mais segura como reduzir a marcha e se não houvesse outro jeito, faria a saída com mais suavidade.


Segundo? o problema maior nem é tanto a saída rápida, mas sim o retorno para a pista. Na maioria dos acostamentos de rodovias menos providas de boa infraestrutura, os acostamentos estão desnivelados e em muitos casos sem pavimentação. Ao tentar voltar para pista rapidamente o golpe no volante provoca um grande deslocamento das força G empurrando o veículo para fora da pista pela tentativa do regresso à via.


Isso fatalmente poderá levá-lo a um tombamento no exato instante que as rodas do lado esquerdo se elevarem pela diferença da pista mais os efeitos do esterçamento da direção, tudo ao mesmo tempo. O correto nessas situações é tentar reduzir a marcha seguindo ainda pelo acostamento e aos poucos retornar para pista sem dar golpes no volante.


De novo, quando se mantém a atenção, é bastante provável que tudo isso não ocorra pois a prevenção dará espaço para uma manobra mais apropriada e segura para a situação.



As obras na pista normalmente são previamente sinalizadas com cones, cavaletes, pessoas ou figuras humanas com bandeiras acenando, à noite com tochas de fogo, luzes laranja ou vermelhas intermitentes etc. Tudo isso em condições normais.


Muitas vezes essas sinalizações não seguem as regras definidas pelo CONTRAN e podem surpreender um motorista que dirige despreocupadamente. Os riscos são grandes, desde o atropelamento de trabalhadores, colisões com máquinas e entrada em meio às obras com efeitos catastróficos.


Iluminação e Visibilidade



Enfrentar o nascer e o por do Sol é um desafio imenso. A visibilidade fica limitada porque não há luz solar suficiente para enxergar a pista e ainda é claro para que os faróis façam efeito. Essa transição do dia para noite ou ao contrário, normalmente persiste cerca de 30 minutos e para quem dirige no sentido para onde o Sol se põe ou está nascendo é necessário maiores atenções


Nesses casos o uso dos faróis aumentam a segurança, em especial para que sejam vistos, pedestres e outros veículos. O uso de óculos de Sol ajudam muito a atenuar os raios de luz, assim como as palas de uso obrigatório nos parabrisas.


Outro efeito que dificulta a visão são as sombras de árvores numa pista pela manhã e ao final da tarde. Essas sombras projetam-se transversalmente ao sentido da pista e confundem entre claros e escuros que podem ocultar um buraco ou lombada.



Os faróis dos veículos em sentido oposto são outros fatores que atrapalham a visibilidade de quem dirige. Seriam menos ofuscantes não fossem algumas condições negativas abaixo:


  • Faróis desregulados, mesmo quando baixos, o foco se eleva e atinge os motoristas em sentido contrário;

  • Uso indevido de faróis altos. Muitos motoristas esquecem, pensam apenas em si ou nem tomam conhecimento da luz azul de alerta no painel. Má fé ou não são altamente ofuscantes que causam a "cegueira momentânea" suficiente para perder a direção.

  • Faróis adaptados de forma irregular que mesmo na luz baixa criam fachos que se espalham e atrapalham tanto os veículos que cruzam como os que estão atrás de outro veículo. Lâmpadas de maiores luminosidade, luzes brancas, enfim, de uso ilegal que não são fiscalizados, embora sejam irregulares.

  • Nas pistas molhadas o efeito da iluminação é prejudicado porém para quem vem em sentido oposto os reflexos aumentam e atrapalham muito a visão.

Esse fatores exigem atenção e se o veículo possuir faróis clandestinos, providenciar a troca pelos originais com urgência.








Questões com as velocidades





Se as velocidades são tão arriscadas e causam tantas fatalidades, porquê algumas rodovias permitem transitar com velocidades de até 120 km/h no Brasil? E as famosas Rodovias alemãs chamadas de Autobhans?


As velocidades limites são definidas primeiramente pelos aspectos legais e associados depois com os estudos técnicos de projeto e engenharia no local. Os traçados da maioria das rodovias no Brasil possuem muitos anos de existência e não são adequados para velocidades acima de 80 km/h e em muitas delas até menores.


As melhores e mais recentes rodovias que tiveram traçados mais condizentes com a geometria, limites de graus em curvas, menores aclives e declives com cortes de montanhas, áreas de escapes e toda infraestrutura de sinalização e proteções são mínimas e concentram-se na região Sudeste. Essas evoluções têm preços e os pedágios subsidiam os investimentos.


Rodar a 120 km/h num automóvel na Rodovia SP-348 Bandeirantes no Estado de SP é praticamente imperceptível. Essa rodovia com trechos de até 5 faixas e traçado com mínimas curvas e rampas permitem essa velocidade com menores riscos. Por ser uma rodovia de pista dupla, com maior distância entre as pistas com canteiro central bem largo, a margem de segurança aumenta.


Infelizmente é um caso isolado e de muito poucas nessa condição. As demais estradas no país exigem maiores cuidados e muita atenção ao dirigir.


Respeito pelas velocidades


Ainda citando a Rodovia dos bandeirantes, o limite de 120 km/h não é para todos.

veículos pesados devem obedecer ao limite de 90 km/h, porém não é o que acontece. É muito comum uma poderosa carreta bitrem lampejando faróis atrás de um automóvel a mais de 110 km/h pedindo passagem. O respeito só ocorre (às vezes) próximos dos radares.


Imagem: Mapa das Rodovias no Estado SP - Crédito ARTESP


A tendência internacional sobre as velocidades é pela redução. De acordo com as premissas orientadas pela ONU e através da Declaração de Estocolmo, no curso da Terceira Conferência Ministerial Global sobre Segurança Viária, a 2ª Década para Redução das Mortes no Trânsito pelo menos em 50% entre os anos de 2020 até 2030 assim como a Visão Zero Morte até o ano de 2050.


As recomendações pela redução da velocidade já estão surtindo efeitos, como as chamadas Zonas 40 ou 30 em alguns países, incluindo o Brasil. Isso pode ser visualizada em áreas de adensamentos de pedestres que podem facilmente se exporem aos riscos de um atropelamento. Exemplos no Brasil, rua de concentrações de compras como Brás e Mercado em São Paulo, Cinelândia no Rio de Janeiro, Comércio em Salvador, Rua da Aurora no Recife e muitos outros locais mesmo em pequenas localidades.


Para quem conhece ou já ouviu sobre as famosas Autobhans alemãs, rodovias de excelentes desempenhos nas quais os automóveis podem "voar" livremente sem limites de velocidades, isso de fato é uma relativa verdade. As Rodovias que possuem o sinal de trânsito abaixo não possuem limites.


As autoridades de Trânsito na Alemanha recomendam que em qualquer uma dessas rodovias o limite seguro é de 130 km/h porém não autuam os excessos. Convém comentar que existe uma pressão no sentido de oficializar esse limite como Lei mas esbarram sempre nos lobbyes das fabricantes de veículos.


Seja como for, nos 14.000 km das autobhans que cruzam diametralmente a Alemanha, um motorista faz um exame para aprovação da CNH muito difícil na teoria com diversos testes de múltiplas escolhas e na prática que é obrigado a dirigir numa dessas rodovias e dentro da velocidade do fluxo. Raramente alguém consegue aprovação na primeira vez.


Outro detalhe são os rigores legais. Embora raramente se vê uma viatura policial, as pistas são severamente policiadas e uma ultrapassagem pelo lado direito pode ser refletida em pesada multa assim como manter-se na faixa da esquerda sem estar ultrapassando alguém. Eu arriscaria dizer que em questão de mais poucos anos essa "festa" da velocidade sem limites vai acabar! Assim espero.


Imagem Autobhan - Baviera - Alemanha - Crédito Pixabay


Retomando nosso cenário bem brasileiro, felizmente não temos "liberou geral" das velocidades, embora muitos motoristas assim procederem. É ainda mais lamentável viajar numa rodovia como a BR-116 em trechos no interior da Bahia ou na BR-101 em trechos isolados de Pernambuco, apenas como exemplos dos muitos outros locais e Estados que se veem caminhões e carretas dos mais diversos modelos em velocidades estimadas em 120 ou mais km/h.


Na Rodovia Régis Bittencourt, trecho entre São Paulo e Curitiba da BR-116, muitos motoristas de caminhões e ônibus conhecedores dos locais onde estão os radares de abusam muito das velocidades e por isso aumentam a fama injusta de Rodovia da Morte porque na verdade deveria ser a Rodovia dos Imprudentes.


Não me refiro à toda uma categoria, mas a poucos imprudentes que causam um reflexo genérico atemorizando outros condutores, principalmente de veículos de passeio que têm de sair rapidamente da frente de uma carreta com todos os faróis acesos e lampejando para passar a mais de 120 km/h. Tanques, cegonhas, basculantes, câmaras frias, baús, graneleiras, abertas comuns, bi trens, fazem o espetáculo sinistro na citada rodovia até que repentinamente envolvem-se em algum acidente cujos resultados ouve-se nos noticiários com a Régis travada por horas enquanto saqueadores de mercadorias atuam no dantesco cenário, muitas vezes alheios às vítimas feridas no local do acidente.


Tudo isso são fatores que predominam como causas da velocidade excessiva e imprudências sob o entendimento de que esses motoristas sentem-se seguros de si, que são "do trecho" há décadas e podem tudo (...) até matar e morrer!


Vamos entender um pouco mais sobre o aspecto comportamental x velocidades



Os depoimentos...







Os exemplos acima são sinalizações regulamentares de trânsito estabelecendo limites máximos. Isso não significa que sejam seguros em qualquer situação. Muitos fatores exigem menores velocidades abaixo das máximas, por exemplo:


  • Tráfego muito intenso

  • Pista escorregadia

  • Visibilidade prejudicada

  • Carga no veículo

  • Aclives e declives

  • Curvas acentuadas

  • Fadiga

  • Desempenho do veículo

  • Saídas e entradas das pistas

  • Trevos de retornos e rampas de acesso

  • Rotatórias



No próximo post continuaremos mais alguns tópicos sobre as velocidades e outras ações que previnam riscos de acidentes de trânsito.


Mais uma vez lembro de que toda essa série Mestres em Comando foi idealizada com base nas melhores escolas e academias de ensino para motoristas profissionais dos Estados Unidos e Canadá com adaptações à nossa realidade.


Agradeço pela leitura e seguimento da série!


Um especial agradecimento à Dra. Claudinete Bezerra S. Bitencourt, atuando em São Paulo - SP. muito competente fisioterapeuta ortopédica / respiratória pela sua mensagem logo abaixo no sentido de proteção às vidas na Campanha Maio Amarelo!


Thyrso Guilarducci










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