• Thyrso Guilarducci

Caminhões e Carretas "Voando"

Updated: May 8

Veículos pesados não são aeronaves nas rodovias



Com o desenvolvimento da tecnologia à cada dia mais entregando soluções de desempenho e sustentabilidade, os caminhões modernos possuem maior índice de segurança em caso de colisões, conforto aos motoristas, diversos dispositivos que auxiliam a condução com segurança e menores esforços.


Crédito: Estradão - Estadão


Está bem distante a época dos “pesados” que somente pessoas musculosas conseguiam girar o volante de um caminhão carregado em manobras. As mudanças de marchas eram um desafio e a alavanca de câmbio muito rígida exigia força e muita prática para o tempo motor permitir a troca das marchas.

Até mesmo o pedal da embreagem era totalmente mecânico com molas de retorno que exigiam uma pressão dos pés fora do comum. Em resumo, aliado ao calor que tornava a cabine uma caldeira, as condições físicas desgastavam as pessoas que não raramente recorriam à previdência social devido dores lombares, colunas, ombros, pernas e outros problemas, sem mencionar os de ordem emocional que quase ninguém admitia pela discriminação que isso seria então coisa de maricas.


Crédito: MaharPress


Deixando a história para as memórias, nossos caminhões e carretas desenvolvem facilmente altas velocidades devido a motorização potente e sistemas de automação nas mudanças das marchas e na dirigibilidade de modo geral.

Infelizmente uma significativa parcela de condutores aproveitam essa cavalaria em potência com 500 HPs ou mais para “botar pressão” no trânsito, principalmente nas rodovias, abusando da velocidade, do comportamento de risco e até criminoso não deixando distância de segurança.


É muito comum para um motorista de automóvel tipo 1.0 numa via ser “empurrado” por um enorme caminhão que preenche totalmente o retrovisor causando medo, insegurança e muita ira ao motorista vítima dessa ameaça latente.

A recomendação mais lógica nessa situação é facilitar a ultrapassagem do “maldito” caminhão colado à traseira, muitas vezes até mesmo sinalizando e saindo para o acostamento e parar o veículo para o imprudente sumir de sua vista.


Crédito: G1 - Globo


Na triste cena acima, duas pessoas perdem a vida na Rodovia Fernão dias em São Sebastião da Bela Vista, Sul de MG. Automóvel ficou prensado entre duas carretas.

Vamos citar por exemplo três rodovias nos Estados de SP, PR, RJ e MG que se utilizam das Rodovias Dutra, Régis Bittencourt e Fernão Dias. Por experiência própria, muitas vezes já fui pressionado por motoristas de carretas de diversos tipos: cegonha, tanque, com container, câmaras frias, carga seca e um dos maiores terrores, as caçambas basculantes.


Composições tipo bitrem, “voam” nas rodovias disputando velocidades possivelmente com algum Airbus 320 ou Boeing 737 das linhas aéreas.

A insensibilidade e precariedade da fiscalização é tão notável que a certeza da impunidade estimula a esses meliantes travestidos de motoristas no cometimento dessas infrações e crimes de trânsito e como resultado, basta ouvir ou assistir aos noticiários da mídia que se é informado sobre acidente (SINISTRO) de carreta em Jacupiranga provocando 30 km de congestionamento, ou em Mairiporã carreta “perde” os freios e capota na saída do túnel ou ainda engavetamento devido carreta no nevoeiro em Jacareí envolve 4 veículos com dois mortos e 8 feridos graves...E assim por diante.


Essa não é a primeira publicação que menciono o problema drástico das velocidades inadequadas dos veículos pesados.


Esse problema não é exclusivo no Brasil, tanto que nos Estados Unidos, a FMCSA The Federal Motor Carrier Safety Administration que é o organismo Federal que regula as operações de veículos pesados no país e subordinado ao DOT local (equivalente ao nosso SENATRAN), está prestes a publicar uma Norma que exigirá que as montadoras ou importadoras de caminhões instalem dispositivos limitadores de velocidade nos veículos.


Obviamente a gritaria contra isso é grande e a Associação dos Proprietários Autônomos de Caminhões chamada de OOIDA e a ATA que é uma entidade do pool dos fabricantes de caminhões e ônibus se juntaram tentando impedir essa Norma pois no entendimento deles os caminhões com pouca velocidade seriam risco ao tráfego dos veículos menores (...) Desculpa sem fundamento, pois bastaria reduzir também a velocidade proporcional dos automóveis em nome da segurança.


Vale lembrar que os Estados Unidos não estão "muito bem nas fotos". Ocupando a 4ª posição dos países líderes em acidentes por 100k de habitantes, está um ponto pior que o Brasil. Isso seria uma ótima oportunidade para o Biden mostrar a liderança do Partido Democrático em nome das Vidas.


Motoristas de carretas nas estradas americanas adoram o tailgating, ou seja, andar na cola dos veículos à frente. Parece que importaram isso do Brasil ou o Brasil copiou deles. Eu mesmo tive de sair rapidamente da pista totalmente à esquerda numa rodovia no Estado de Washington devido um maluco me “empurrar” com seu Freightliner Cascadia.


Dentro de algumas semanas o FMCSA deverá publicar essa Norma (ou declinar sob a pressão das indústrias). Eu espero que seja publicada e assim que isso ocorrer, como sou representante do ONSV e atuando no Núcleo de Segurança Veicular, juntamente com meus pares deveremos levar o conteúdo para a ANFAVEA no sentido de que a mesma prática seja adotada aqui no país. O caminho será árduo, mas a sensibilização pelas vidas será argumentada com os preceitos do PNATRANS.


Em tese não se trata de uma simples ordem para reduzir a velocidade. Seria a instalação de dispositivos mecânicos e eletroeletrônicos que simplesmente impedem o excesso além da velocidade X km/h que poderia ser por exemplo 60 km/h. Seja na descida, subida ou plano, a velocidade é barrada por um sistema complexo tirando do motorista a possibilidade de exceder aos limites.


Na minha opinião, uma excelente ofensiva ou contra-ataque às tantas agressividades que resultam em mortes nas rodovias e até mesmo nas vias urbanas.

Vou acompanhando esse processo e se vingar, volto a uma nova publicação.


Fonte básica: www.ttnews.com


Bom final de semana!




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