• Thyrso Guilarducci

Braços em riscos

Cobradores (trocadores) de ônibus em São Paulo podem perder um braço!


Imagem Revista Portal do Ônibus


Na confluência de duas vias importantes no bairro da Lapa na cidade de São Paulo existe uma passagem sob a linha férrea da CPTM através de um viaduto centenário cujo limite de altura máxima é de 3,20 m.


O trem passa por cima e os automóveis e demais veículos por baixo no início da av. Raimundo Pereira de Magalhães (antiga estrada de Campinas) confluência com a rua Gago Coutinho (fotos do local a seguir)


Imagem Google Maps


Imagem Google Maps


Essa obra já teve sua valia quando os veículos eram menores e a rigor já deveria ser substituída há décadas, todavia permanece pela inércia da administração pública que se acomodam no conforto que entendem cada qual não ser de sua responsabilidade.


As empresas de ônibus urbanos que possuem linhas que transitam sob o citado viaduto foram obrigadas a limitar a abertura das coberturas sobre o teto dos coletivos pois se estiverem abertos serão destruídos em contato com as ferragens da linha férrea.


Os ônibus que adentram o viaduto procedentes do bairro da Lapa, são forçados a ampliar o raio de giro inicialmente para a esquerda da rua Gago Coutinho e virando cuidadosamente à direita para alinhar o veículo e passar sob o viaduto, pois não há espaço para corrigir a trajetória.


AÍ COMEÇAM OS RISCOS QUE PODEM CAUSAR A PERDA DE UM BRAÇO


Imagem do autor

Devido esse problema, os motoristas de ônibus “abrem” bem a curva e vagarosamente vão fechando o lado direito cujos condutores impacientes de autos e motos passam pela direita.


Até essa constatação, infelizmente é apenas mais um retrato das costumeiras imprudências e infrações de trânsito que se verifica a todo momento no país.


O que me levou a produzir esse Artigo está no fato do envolvimento de mais uma figura nessa dinâmica. A do cobrador ou trocador, como dizem em algumas regiões do Brasil. Cabe ao cobrador esticar e abanar seus braços para fora pelo lado direito ajudando o motorista que devido ao ponto cego poderia colidir com algum veículo.


Imagem do autor

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Considero uma afronta à integridade física dos cobradores tentando sinalizar uma manobra com seus braços para fora do veículo. No local mencionado, devido ser muito estreito, o espaço entre a lateral do coletivo e a parede não mede mais que um palmo. Imagino nessa situação uma distração do cobrador e o ônibus avançando à frente ele terá seu braço esmagado entre a janela e a parede no local.


Poderia ser uma infração de trânsito, é uma exposição ao risco desnecessária, pois para isso existe o uso da seta. O motorista do ônibus só deveria obter ajuda do cobrador no caso dele desembarcar e orientar externamente e em posição segura pelo alinhamento do coletivo. Infelizmente não há enquadramento objetivo no CTB, nem mesmo o Artigo 235 cujo entendimento de pessoa para fora do veículo diz respeito a situações de passageiros em carroçarias de caminhões, caçambas etc.


Imagem Google Maps


Conversei com um cobrador sobre isso e ele comentou sem revelar seu nome receando alguma punição que é uma regra obrigatória e se não proceder assim será advertido na garagem podendo até perder o emprego.


A propósito, os chamados Plantões, são um departamento de controle do tráfego e já ouvi muitos motoristas e cobradores comentarem sobre a truculência que os inspetores agem, resultando em desnecessárias advertências verbais de ameaças do emprego e descontos de valores por danos ou na recusa, serem demitidos.

Claro que não devo generalizar, mas cabe nisso um alerta às empresas que tomem ciência de como estão agindo atualmente, principalmente nessa questão de exigir que os cobradores atuem como balizadores colocando seus braços em riscos.


Essa atitude não se limita ao local mencionado. Em diversas vias com acessos críticos é normal ver-se um braço gesticulando pela direita para um ônibus acessar o ponto de parada.


Essa mesma pessoa disse que o que conforta é que a nova geração de ônibus possui vidros permanentemente fechados devido o ar-condicionado e a ajuda limita-se em olhar e orientar o motorista, pois não há como colocar o braço para fora.


Imagem Google Maps


Imagem Google Maps


Resta apelar à todas as empresas e o Sindicato dos empregados que sensibilizem para pôr um fim nesse risco desnecessário. Sabemos que os coletivos com janelas que abrem e fecham ainda vão perdurar por muito tempo.


Nota: a face do cobrador e identificação do coletivo nas fotos acima foram desfocadas para preservar a integridade do profissional.


Agradeço pela leitura




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