• Thyrso Guilarducci

As disciplinas acadêmicas

17 - Avaliação do Impacto do Acidente de Trânsito



Na 17ª publicação da série As Disciplinas Acadêmicas, o tema da Avaliação do Impacto do Acidente de Trânsito trata de uma questão literalmente impactante, daí o título. Claro, um acidente de trânsito pode ocasionar mortes, feridos, prejuízos morais, financeiros e abalam até mesmo a estrutura econômica de uma sociedade, de uma nação.


Países com elevados índices de acidentalidade significam que anualmente custeiam despesas que podem superar ao PIB de muitos menores países. É o caso do Brasil que gastou 132 bilhões de Reais anual e entre os anos de 2007 a 2018 totalizou R$ 1,584 trilhão conforme o IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada do Governo Federal e vinculado ao Ministério da Economia.


Nesse período de 12 anos foram números alarmantes!


479.857 Vidas perdidas


R$ 1.584.000.000.000,00 de gastos (trilhões)


Por essa razão são muito importantes cada uma das ações, por menores que sejam, incentivar a agir em prol da redução dos acidentes de trânsito no Brasil e no Mundo.


Nessa disciplina, estuda-se os reflexos gerados pelos acidentes como as perdas sociais e econômicas, efeitos no transporte de cargas, custos com acidentes de trânsito, famílias afetadas pelas perda de apoio pelo provedor de recursos e as consequências orçamentárias da União dado aos custos diretos e indiretos pela somatória dos acidentes.


Como é habitual, o estudo é dividido em módulos; nessa disciplina em quatro deles, a saber:


1 - Acidentes de Trânsito e as Consequências


2 - Reflexos pelas Perdas Materiais


3 - As Perdas Econômicas


4 - Abalos Sociais


No Primeiro Módulo, são abordadas as questões com as experiências brasileiras e internacionais, conceitos dos acidentes de trânsito assim como os impactos decorrentes.


Os estudos realizados por países como Estados Unidos, Suécia, Espanha, Nova Zelândia e muitos outros que propiciaram elementos para que o Brasil adotasse mecanismos semelhantes, tanto das pesquisas como dos planos de mitigação das ocorrências.


Os acidentes causam danos diversos, além das pessoas envolvidas, como destruição de vias e obras de arte, pórticos, postes, redes, sinalizações etc. Os próprios veículos são afetados com efeitos moderados, médios ou graves que vão desde a pequenos danos até as perdas totais que encarecem as coberturas por seguradoras e abalam os orçamentos da população.


Os custos com atendimento são muito elevados, considerando a disposição por agentes de trânsito, ambulâncias, suporte aéreo, viaturas e equipes de bombeiros ou resgate SAMU, equipamentos e insumos hospitalares, hospitalizações e medicamentos.


Outros custos consecutivos estão ligados à esfera jurídica nos processos envolvidos com os acidentes.


Até mesmo os custos com funerais são relevantes, não apenas as questões de enterro e preparativos mas as perspectivas de produtividade em vida que é interrompida incluindo a oportunidade de capital. Uma abordagem que aparenta ser fria e insensível, porém é real e lida com fatos que passada a fase do luto, surgem alheias às vontades.


Em resumo, estuda-se os custos de produção, aquele que é resultante da vítima que deixou de produzir. Pode ser temporária ou permanente. Os custos pelo sofrimento, que não se atribui cifras numéricas mas a perda da qualidade de vida de todos que são afetados pelos acidentes. O Custo da Dor, proporcional às lesões que pode ser leve até severa. A tristeza é outra dor inclusa sem atribuir correlação monetária e sim os efeitos pelos traumas dos acidentes.


Muitas vítimas possuem e geram custos com tratamentos psicológicos e ainda assim não superam os traumas! Não se sentem capazes de seguir uma vida regular e produtiva.


RESUMO DO MÓDULO


Estudos dos custos e abalos decorrentes dos acidentes não apenas no Brasil mas na Europa e Estados Unidos, abordando aspectos com medidas hospitalares e médicas e impactos sociais.


2 - Reflexos pelas Perdas Materiais


Estuda-se nesse Módulo o desdobramento dos custos referentes aos danos materiais, em especial às vias, patrimônio, infraestruturas e os veículos.


Muitos acidentes ocorrem por deficiência conjunta das vias que não suportam a demanda pelo crescimento econômico como aumento da população, dos veículos e pessoas usuárias. Isso força a um estrangulamento da capacidade no qual muitas vezes um veículo mantém-se longas distâncias retido sem conseguir um só momento seguro para uma ultrapassagem de veículo lento à sua frente. Isso é um fator gerador de imprudências e acidentes.


Outro ponto analisado: são especificados os tipo de acidentes para que se adotem medidas preventivas, dentre eles:


  • Atropelamento

  • Pessoas atingidas

  • Capotamento

  • Choque

  • Colisão

  • Colisão frontal

  • Colisão traseira

  • Engavetamento

  • Queda

  • Tombamento


Crédito: Pixabay


Outros detalhes são inerentes aos relatórios como os tipos de veículos envolvidos. Isso possibilita direcionar providências mitigadoras conforme o veículo predominante em cada acidente que podem ser:


  • Automóvel

  • Bicicleta

  • Caminhão

  • Cavalo mecânico

  • Camioneta

  • caminhonete

  • ônibus ou micro ônibus

  • Motocicleta

  • Reboque, semirreboque

  • Conjuntos bitrens

  • Outros


Crédito: Pixabay


Os custos também são analisados conforme as circunstâncias, como


  • Custo com atendimento médico, hospitais e reabilitação

  • Atendimento por agentes ou policiais

  • Reflexos dos congestionamentos

  • Avarias aos equipamentos urbanos

  • Propriedades privadas

  • Semáforos e sinais de trânsito

  • Veículos

  • Familiares afetados

  • Suplementação de transportes

  • Redução produtiva por consequência

  • Previdenciário

  • Jurídico processual

  • Socorro por Resgate ou bombeiros

  • Remoção de veículos

  • Resgate de pessoas

  • Custo intangível humano


3 - As Perdas Econômicas (Materiais)


Separadamente estão relacionadas com os veículos, vias públicas, infraestrutura e propriedades privadas.


Nesse Módulo são estudas as fórmulas de apropriação dos custos formados a partir de cada instância nas quatro mencionadas acima.


Interessante observar que no aspecto privado os danos podem ser cobertos por apólices de seguros, mas um acidente invariavelmente significará prejuízo. O seguro em si já é um custo, preventivo, mas realizado pela probabilidade da existência de um acidente. Quando ocorre, agravam-se os riscos estatisticamente e o custo dessa carteira tende a elevar o prêmio (custo do seguro).


Outro fator relevante e objeto de estudos são as questões de elevados danos materiais a uma propriedade que eventualmente pode ser destruída por um veículo pesado e o proprietário e condutor vem a falecer no local. O veículo perde-se totalmente no acidente e o proprietário do imóvel tenta levantar a indenização sem sucesso, salvo de possuir seguro residencial.


4 - Abalos Sociais


Neste último Módulo são apresentadas as metodologias para os cálculos financeiros por vidas perdidas, falta ao trabalho, custos previdenciários com suporte médico e hospitalar e outros custos diversos.


Avaliar o custo de uma vida é subjetivo. A vida não se mede por correspondência monetária e sim afetiva. Os impactos causados pela perda de uma vida, principalmente na fase produtiva, além dos efeitos traumáticos numa família, há de se considerar a interrupção súbita da principal fonte de renda familiar, independente se for o pai ou a mãe.


A família é atingida e a somatória desses episódios semelhantes afetam drasticamente a economia do país que causam cifras astronômicas e atingem o Brasil com uma conta de 135 Bilhões de Reais ao ano conforme o IPEA.


Fórmulas complexas demonstram matematicamente as bases de cálculos considerando o tempo de vida remanescente em teoria para se obter o estimado de renda perdida e na projeção que não mais existirá.


Para concluir essa Publicação, devo confessar uma espécie de pesar genérico por todas as vítimas de acidentes de trânsito. Quem já passou por essa experiência pode avaliar o peso dos transtornos, quando não vitimado gravemente. Posso imaginar o que uma família é forçada a lidar com a perda de seu ente querido, principalmente quando foi uma vítima e não o responsável por um acidente.


Crédito: Pixabay



Deixo meus respeitos sinceros a todas elas e isso me inclinou a desenvolver atividades na prevenção dos acidentes de trânsito, por mais básicos que sejam, na esperança de contribuir para uma redução desses tristes fatos.


Muito obrigado!


Thyrso Guilarducci







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