• Thyrso Guilarducci

A agressividade no trânsito

Updated: Apr 14

A fúria desmedida no trânsito


Bem-vindo!

Talvez as ruas, avenidas, rodovias, calçadas e passeios, assim como um simples patinete, skate ou um par de tênis e chegando a um automóvel, caminhão, ônibus ou aquela bike básica, sejam os elementos que complementam cada um dos usuários desses recursos da mobilidade social.


Podemos incluir os andadores, muletas e cadeiras de rodas que sim, são instrumentos para a mobilidade.


Todos esses instrumentos seriam eficazes não fosse o comportamento humano em uma significativa parcela dos atores no trânsito. Basta uma simples fechada de algum descuidado condutor que a resposta surge imediatamente como se esse pequeno episódio fosse uma Declaração de Guerra Nuclear.



As reações no trânsito nos remetem à refletir pelas origens dessa agressividade desmedida e gratuita que em muitos casos, levam ao estresse, agressões verbais e físicas e não raramente resultando em crimes de lesões corporais e o pior, homicídios.


Quem já não assistiu ao filme do Pateta dirigindo seu carrão conversível? Aquela obra prima da Disney nos anos 50; um sucesso plenamente atualizado sem nenhum retoque. O cidadão "Pateta", chefe de família, filhos, bem sucedido, casa, carro, bem estar, bom relacionamento com amigos e vizinhos, entra naquele elegante conversível e imediatamente transforma-se num demônio.


O espectador ri muito pelo apelo no desenho animado. Ver aquele pateta transformado em monstro, ameaçando pedestres e batendo propositadamente em outros carros para que sua vontade egoísta prevaleça sobre os demais . Isso é nada mais nada menos que o retrato dos anos 50 adaptado no presente pela mudança das máquinas, não das mentes.


Imagem: Genilson Siqueira do Nascimento https://www.youtube.com/watch?v=_Tlk6e61E6w


Recomendo o vídeo que pode ser acessado, por exemplo no Youtube indicado no link sob a imagem acima. Vale a pena rir pela criatividade e refletir pelos significados.


Agora a questão cuja resposta "Vale um Milhão" é do Porquê tanta agressividade assim? As respostas não são fáceis pois estão afetas ao comportamento humano e isso compete a especialistas nas áreas da psicologia e psiquiatria e de preferência que sejam especialistas em trânsito.


Estudiosos atribuem ao perfil agressivo e raivoso dos seres humanos a origem do animal que de fato ele são. É como se defendem pela preservação instintiva na seleção natural da espécie, segundo Darwin.


Isso tem origens pré-históricas na defesa do ambiente territorial, do alimento e outros seres da mesma espécie. O mundo mudou e muda constantemente na amplitude das novas gerações humanas, no desenvolvimento intelectual e da cultura associada ao avanço da tecnologia e inteligência. (Só que não!!!)


Nesse aspecto de avanço, a sociedade possui um hiato divisor entre o passado e o momento atual quando nem todos entendem que a evolução humana não se restringe a novos modelos de carros, de um smartphone, de formar-se numa universidade em países de referência no mundo, entre tantas conquistas.


As raízes do DNA apontadas por Darwin perpetuam no comportamento de muitos motoristas, pedestres, policiais, agentes de trânsito, enfim na sociedade como um todo em uma taxa percentual suficiente para contaminar as demais pessoas que aderem ou copiam simplesmente uma devolutiva violenta no mesmo instante da provocação.


Uma personalidade que na minha opinião pode ser considerada referência como autoridade na psicologia do trânsito foi Rozestraten, renomado psiquiatra holandês que se radicou no Brasil e desenvolveu inúmeros trabalhos teóricos e práticos, sempre defendeu a inclusão mais intensiva dos psicólogos especializados em trânsito no sentido de entender essa relação máquina x homem e com isso propiciar mecanismos que mitigassem esse comportamento rigorosamente prejudicial à todos.


Rozestraten entendia que os exames psicotécnicos (atualmente chamado de Avaliação Psicológica) limitavam-se à um protocolo padronizado comum a todos, porém nem todos são comuns. Cada ser humano possui diferentes reações, comportamentos e perfis neurológicos. Assim o ideal seria uma abordagem direcionada após uma prévia avaliação pelo profissional, derivando então a finalização com o teste mais adequado.


Acredito que no imenso arcabouço legislativo as recomendações nunca foram consideradas e mesmo com a pressão do CFP Conselho Federal de Psicologia, não houve avanço nesse sentido.


Diante desse quadro, posso acrescentar que a melhoria no comportamento humano no trânsito (e porque não na vida) poderia apresentar um resultado menos traumático se alguns comportamentos periféricos da personalidade fossem relevantes para serem adotados ou relembrados nas suas preservações.


São muitos esses periféricos e será o assunto futuro nos post a publicar.


Até breve e renovo meu muito obrigado pela leitura!


Thyrso Guilarducci



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