• Thyrso Guilarducci

Ônibus urbanos em São Paulo

Updated: Nov 12

Riscos aos passageiros embarcados


O avanço tecnológico dos ônibus urbanos e rodoviários ganharam recursos expressivos para o desempenho e o conforto, tanto dos passageiros como dos motoristas.



Modelos com assoalhos rebaixados (piso baixo) facilitam o acesso pela redução da altura do degrau entre o coletivo e a calçada. Além disso, o ar-condicionado já é um acessório que promove mais conforto às pessoas, incluindo amplas janelas de vidros fixos que facilitam a visualização. Há ainda pontos de USB para cargas de celular e HI-FI disponível em determinadas linhas e regiões.



No aspecto da mecânica, modernas suspensões pneumáticas reduzem sensivelmente os impactos das imperfeições das vias, possibilitando ainda rebaixar ainda mais o lado de abertura das portas para auxiliar pessoas com maiores dificuldades de locomoção ou cadeirantes.


Motores equipados com desempenho Euro-5, catalisadores e uso do Arla 32 que abatem as emissões drasticamente. Algumas unidades 100% elétricas ou mesmo trólebus, ajudam na redução do consumo de combustíveis como diesel.


Crédito Via Trolebus


O sistema de freios dotados de ABS EBD Retarder associado com freio motor praticamente dispensa o pedal de freio conforme o modo de dirigir. A transmissão automática favorece não apenas os motoristas que poupam manusear repetidamente a alavanca de mudanças, mas também os passageiros que não são afetados por intensos trancos nas mudanças de marchas.


Crédito: ônibus Brasil


PAINEL MODERNO ACIMA E ABAIXO TÍPICO NOS ANOS 60


Crédito: João Paulo Clarindo / Portal Ônibus Brasil


Nem tudo são flores aos passageiros


Com os recentes aumentos dos preços dos combustíveis, muitas pessoas repensaram seus hábitos de locomoção em busca de alternativas mais econômicas. Assim, o uso do transporte coletivo intensificou-se, o que é relativamente um fato positivo para a fluidez no trânsito. Mas isso despertam pontos importantes nesse cenário:


A utilização dos ônibus urbanos por pessoas com restrições de mobilidade, idosos e outras comorbidades ou limitações tornam-se um desafio em manter sua integridade física. Infelizmente muitos motoristas de ônibus, na cidade de São Paulo como exemplo, não atendem aos requisitos mínimos de aplicarem na prática os ensinamentos da legislação e boas condutas para tornarem-se ou renovarem-se na função que é regulamentada pelo CONTRAN (transporte coletivo de passageiros).


É muito comum que muitos motoristas façam arrancadas e freadas bruscas, trocas de marchas com golpes violentos no pedal da embreagem, o que danificam os ônibus e colocam em risco as pessoas que estão de pé e até mesmo a sentadas que sentem suas colunas se abalarem devido a esses movimentos grosseiros.


É de se destacar positivamente os motoristas que cumprem seus papéis, são pacientes e observam cuidadosamente quando uma pessoa idosa embarca, se a mesma já se acomodou e está seguramente posicionada antes de deslocar o veículo. Nos casos de saírem antes disso, fazem-no com muito cuidado para não provocar nenhum tranco, na saída e nas trocas de marchas.


Não é nada fácil para uma pessoa jovem ou meia idade totalmente saudável manter-se em pé nos coletivos quando o motorista é um insensível profissional, imagine-se então um idoso ou pessoa com dificuldade de locomoção. A impressão resultante é de que aquelas 40 horas nos treinamentos obrigatórios de nada adiantaram,



Não bastassem esses episódios, acrescenta-se ainda a situação dos pavimentos em praticamente toda a malha paulistana e na região metropolitana. São constantes ondulações transversais (lombadas), buracos, ondulações, desnivelamentos, que fazem os coletivos rangerem pelos esforços estruturais a que são submetidos.


Crédito: Jornal SP de Fato


No vídeo a seguir pode-se observar como um ônibus balança devido às irregularidades nas vias. Um pequeno trecho de 735 metros na Vila Jaguara, Zona Noroeste da cidade de São Paulo.


https://youtu.be/ke1kPXSo4lk


Mapa destacando o trecho filmado



O desgaste prematuro dos veículos é tão acentuado que se observam modelos de última geração com um ano ou menos de uso já sinalizando ruídos intensos na suspensão pelos efeitos danosos das ruas e avenidas deficitárias na cidade de São Paulo


Quem conhece a história ou é veterano e sabe como eram os ônibus urbanos nos anos 60, 70 e até meados de 80 sabe que eram literalmente veículos derivados dos chassis de caminhão com suspensão rígida, degraus muito elevados e nenhum conforto.


Os tempos mudaram, a tecnologia favoreceu novos projetos e os ônibus brasileiros urbanos e rodoviários estão em pé de igualdade com os principais países do mundo, porém a educação e as condições das vias urbanas, ao menos em São Paulo, ainda está altamente deficitária.


Abaixo uma peça publicitária do lançamento do modelo CAIO Jaraguá em 1963 inaugurando os modelos LPO com eixo dianteiro recuado. Entregue a Empresa Penha São Miguel, na Zona Leste da cidade de São Paulo.


Na sequência um modelo 2021 biarticulado da cidade de Curitiba.


Imagem crédito: propagandashistoricas.com.br


Imagem crédito: automotive business / Pedro Kutney


DOIS FOCOS DOIS PLANOS


Quando se aborda o contexto SEGURANÇA NO TRÂNSITO a primeira ideia que surge é de um motorista ao volante de seu carro dirigindo cuidadosamente e respeitando as Leis de trânsito. Isso é parcialmente correto, porém é muito mais abrangente.


Condutores de automóveis, de motocicletas, de caminhões e ônibus devem ser todos solidários às regras fundamentais da segurança e da Lei, mas também os pedestres possuem sua parcela de comprometimento, assim como a administração pública, entidades ligadas à mobilidade urbana, indústria automotiva (veículos e peças), organizações de ensino em todas as bases educacionais, do ensino fundamental I até os níveis universitários.


Com a edição do PNATRANS suportada pela Resolução 870/2021 do CONTRAN Conselho Nacional de Trânsito e instituído pela Lei 13.614 de 11/01/2018, que determinou com base nas Recomendações da OMS/ONU uma drástica redução dos mortos e feridos no trânsito (vide minha publicação pelo link abaixo) a exemplo de similar compromisso de mais 177 países signatários da 3ª Conferência Ministerial Global sobre Segurança no Trânsito realizada em Estocolmo, Suécia em fevereiro de 2020, essa realidade tanto do comportamento dos condutores de coletivos como da precariedade das vias públicas, em São Paulo e qualquer outra localidade do Brasil, deverão ser compulsoriamente solucionados.


Está aí uma excelente questão para os prefeitos e vereadores debaterem como situações desse tipo serão resolvidos em regime de urgência, sob pena de infringirem Lei Federal publicada e valendo claramente.


Link para acesso:


https://www.safethy.com.br/post/pnatrans


Agradeço pela leitura e especialmente à Adrielly Guterres, Estudante de Jornalismo na cidade de Colombo, PR pela gentileza de sua mensagem sobre a Segurança no Trânsito postada logo abaixo.



Um abraço

Thyrso Guilarducci

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